O governo dos Estados Unidos afirmou que o Irã está perdendo capacidade de mísseis e já não consegue realizar disparos de médio alcance contra Israel e países do Golfo. No entanto, os drones iranianos, especialmente os modelos Shahed, permanecem como um desafio significativo.
Segundo análise de Américo Martins, analista sênior internacional, enquanto os americanos destacam a redução nos ataques com mísseis iranianos, ignoram que o Irã continua sendo uma potência na produção e no uso de drones. Os drones Shahed são responsáveis pela maior parte da destruição nos ataques contra vários países do Golfo.
Esses drones foram utilizados em um ataque a uma base militar americana no Kuwait, resultando na morte de seis militares dos EUA, as únicas vítimas militares americanas desde o início do conflito. Além disso, os drones atacaram a principal refinaria da Arábia Saudita, que teve sua produção temporariamente suspensa, e instalações de gás natural no Catar.
Os drones Shahed têm um custo relativamente baixo, entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, em comparação aos mísseis, que podem custar milhões. Essa disparidade cria uma guerra assimétrica, onde o Irã utiliza novas tecnologias para combater adversários militarmente mais fortes, estratégia semelhante à empregada pela Ucrânia contra a Rússia.
O uso desses drones causa danos econômicos significativos aos oponentes, pois para derrubá-los, os Estados Unidos, Israel e aliados da OTAN precisam utilizar mísseis antiaéreos de alto custo ou mobilizar caças. A eficácia dos drones iranianos é tão notável que estão sendo copiados, inclusive pelos Estados Unidos.
O Irã exportou milhares de drones para a Rússia, que os utiliza em ataques contra a Ucrânia. Essa tecnologia está revolucionando os conflitos ao redor do mundo, mudando a forma como os exércitos combatem.
Com uma reserva estimada em milhares de drones e capacidade de produção contínua a baixo custo, o Irã continuará representando uma ameaça significativa para os países do Golfo e para os Estados Unidos. Mesmo que Washington afirme ter destruído as capacidades de mísseis iranianos, o país permanecerá vulnerável a esses drones que já revolucionaram a guerra na Ucrânia e agora transformam os conflitos no Oriente Médio.

