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Eleições dificultam acordos para abafar escândalos, afirma cientista político

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria de risco Think Policy, afirmou que a iminência das eleições gerais dificulta a realização de acordos para abafar escândalos de corrupção. Segundo ele, potenciais alvos das apurações, tanto da situação quanto da oposição, podem usar esses escândalos como armas políticas nas eleições.

A declaração de Barreto remete a um contexto histórico, em que o então ministro do Planejamento, Romero Jucá, defendeu um ‘acordo nacional’ para frear a operação Lava-Jato. Essa ideia de um ‘acordão’ entre os Três Poderes para proteger figuras políticas de investigações se tornou comum.

Atualmente, as revelações sobre as conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que é investigado por uma das maiores fraudes financeiras do Brasil, geram preocupação entre autoridades do governo Lula, no Congresso e no STF. As tentativas de abafar o caso já estão em andamento, incluindo uma negociação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para engavetar a criação da CPMI do Banco Master em troca da derrubada do veto de Lula ao projeto da dosimetria.

Barreto destacou que esse cenário torna mais difícil a realização de um ‘acordão’, aproximando o caso Master dos danos políticos da Lava-Jato. Ele observou que as investigações estão se movendo para um ambiente caótico, onde os investigados perdem controle sobre o processo.

O cientista político também lembrou que, em fases anteriores, as investigações ocorriam em um ‘ambiente controlado’, com dificuldades para a criação de CPIs e manipulação de instituições financeiras. No entanto, agora, com a quebra de sigilo de figuras como Lulinha, percebe-se uma mudança significativa.

Barreto concluiu que o debate sobre esses escândalos entrará na seara eleitoral, dividindo partidos e tornando os resultados das eleições imprevisíveis.

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