No domingo, 15 de março, os franceses participaram do primeiro turno das eleições municipais, um evento considerado um termômetro para o cenário político do país a pouco mais de um ano da próxima eleição presidencial.
A votação revelou um avanço significativo da ultradireita em várias cidades, enquanto a esquerda manteve sua posição dominante em Paris.
O partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) e seus aliados lideraram a votação em diversas cidades do sul, incluindo Nice, Toulon, Nîmes e Carcassonne. Prefeitos ligados ao RN já garantiram vitória no primeiro turno em locais como Perpignan, Fréjus e Hénin-Beaumont.
Marine Le Pen, líder do RN, que está inelegível devido a acusações de desvios de verba pública, descreveu os resultados como “uma grande vitória para o nosso movimento”. O eurodeputado Jordan Bardella, principal nome da extrema direita para a próxima eleição presidencial, afirmou que a votação municipal indica mudanças no país. “A mudança não espera até 2027. Ela começa neste domingo”, declarou Bardella.
Em Marselha, o prefeito de centro-esquerda do Partido Socialista, Benoît Payan, liderou a votação por uma margem mínima, seguido pelo candidato de extrema direita Franck Allisio. Outros candidatos, Martine Vassal, dos Republicanos, e Sébastien Delogu, da França Insubmissa, também se classificaram para o segundo turno. Há especulações sobre possíveis alianças entre socialistas e a esquerda radical para apoiar Payan, enquanto Vassal considera uma aliança com o RN.
Na capital, Paris, a esquerda se destacou novamente, com Emmanuel Grégoire, do Partido Socialista, liderando com cerca de 36,5% dos votos. “O povo de Paris nos colocou confortavelmente na liderança neste primeiro turno”, comemorou Grégoire, aliado da atual prefeita Anne Hidalgo, que não disputará um terceiro mandato. Sophia Chikirou, da França Insubmissa, também se classificou para o segundo turno, mas Grégoire afirmou que não fará pacto com a extrema esquerda.
Rachida Dati, ex-ministra da Cultura e candidata dos Republicanos, obteve 25% dos votos e também se comprometeu a não formar aliança com a ultradireitista Sarah Knafo, da sigla Reconquista. O segundo turno das eleições está agendado para o próximo domingo, 22 de março.

