Os eleitores franceses foram às urnas neste domingo, 15 de março de 2026, para eleger seus prefeitos. A votação é vista como um teste da força da extrema-direita e da resistência dos partidos tradicionais antes da eleição presidencial do próximo ano.
Os prefeitos lideram quase 35 mil municípios no país, abrangendo desde grandes cidades até vilarejos com apenas algumas dezenas de habitantes. Os resultados locais podem moldar o ímpeto nacional, especialmente com a proximidade da eleição presidencial, onde o Reunião Nacional (RN), de extrema-direita, pode potencialmente vencer.
A votação termina às 17h (horário de Brasília), com resultados preliminares sendo divulgados logo em seguida. Em muitas cidades de médio e grande porte, haverá um segundo turno em 22 de março.
O RN, que é anti-imigração e eurocético, busca obter ganhos significativos nas eleições municipais. Com candidatos em várias centenas de municípios, o partido espera mostrar popularidade crescente e marcar vitórias que possam impulsionar sua campanha presidencial.
“”Se o povo de Marselha fizer uma escolha corajosa (…) isso encorajará e esclarecerá os franceses sobre a escolha que farão no próximo ano”, disse Franck Allisio, candidato do RN em Marselha.”
Allisio está empatado nas pesquisas do primeiro turno com o atual prefeito socialista Benoit Payan, o que proporciona ao RN uma chance antes impensável de chegar ao poder em uma grande cidade francesa.
Em uma seção eleitoral em Marselha, um trabalhador da construção civil, Serge, expressou sua indiferença em relação ao RN: “Eles não são piores do que os outros. Isso não vai mudar nada. Nada muda, e esse é o problema”. Ele destacou que a segurança é uma prioridade nesta eleição.
Pesquisas de opinião indicam que a segurança é a principal prioridade dos eleitores, alinhando-se com o foco do RN na lei e na ordem. Uma questão fundamental é quais alianças o RN fará com outros partidos entre os dois turnos e se essa eleição quebrará décadas de tradição de evitar a extrema-direita.
A esquerda teve um bom desempenho nas eleições municipais de 2020, mas agora está enfraquecida ao nível nacional. Será observado se conseguirá manter Paris e algumas das cidades que ganhou anteriormente, como Nantes e Estrasburgo. Outra questão importante é se os principais partidos de esquerda farão alianças com o partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) entre os dois turnos.

