E-mails encontrados pela Polícia Federal na caixa de entrada de Daniel Vorcaro revelam pressão para a venda de uma cobertura em construção em São Paulo, avaliada em R$ 60 milhões, horas antes da prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025.
As mensagens incluem a participação de representantes do empresário, da incorporadora responsável pelo empreendimento e do ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, que atuava na negociação pelo lado do comprador. O imóvel está localizado no empreendimento de luxo Vizcaya Itaim, no bairro do Itaim Bibi.
As conversas tiveram início na sexta-feira anterior à prisão, em 14 de novembro. Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, encarregada por Vorcaro de conduzir a negociação, enviou um e-mail à Bolsa de Imóveis solicitando documentos para viabilizar a venda. Na mensagem, ela pede a confirmação da quitação do imóvel, a guia para pagamento do ITBI e informa o CNPJ do comprador, além de confirmar o valor da operação: R$ 60 milhões.
Segundo os e-mails, o apartamento pertence à Viking, uma das principais empresas ligadas a Vorcaro, conhecida por possuir aeronaves utilizadas pelo empresário. No dia da prisão, a pressão para a venda se intensificou.
Em 17 de novembro, às 7h39, Regiane enviou um e-mail solicitando urgência na assinatura do compromisso de venda e compra. Às 9h50, reiterou a necessidade de documentos para comprovar a titularidade e a quitação do imóvel. Às 12h27, enfatizou a importância da comprovação da quitação para avançar na negociação.
Às 14h20, Regiane pediu novamente a urgência do termo de quitação, essencial para comprovar o pagamento integral aos compradores. Vorcaro, às 16h35, solicitou acesso completo e autonomia para Regiane em seu nome.
Por volta das 16h47, Regiane enviou outro e-mail cobrando a emissão do documento, lembrando que o prazo para concluir a operação era aquele dia. Os e-mails não confirmam se a venda da cobertura foi efetivada antes da prisão.
Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro, às 22h, no aeroporto de Guarulhos, antes de viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A PF se antecipou na prisão para evitar fuga. A operação Compliance Zero foi iniciada na madrugada do dia seguinte.

