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Embaixador do Brasil no Irã alerta sobre consequências de derrubar regime

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, afirmou que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa “hercúlea, sangrenta” e custosa, resultando em perdas econômicas globais. Ele fez essas declarações durante uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional, nesta segunda-feira (9).

Veras destacou que não haveria possibilidade de mudança no regime iraniano apenas com ataques aéreos. “Não haveria uma possibilidade de mudança [do regime iraniano] ou de algum fim deste conflito se fôssemos pensar apenas da perspectiva de ataques [exclusivamente] aéreos”, disse.

O embaixador também mencionou as dificuldades que tropas estrangeiras enfrentariam em uma possível incursão terrestre, citando as dimensões do território iraniano e a capacidade ofensiva militar do Irã. “Então, aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem, realmente, derrubar o regime. E acho que será uma tarefa hercúlea. Sangrenta”, afirmou.

Ele observou que, dez dias após os primeiros ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e centenas de civis, os serviços básicos no país continuam funcionando. “O comércio está aberto. As escolas estão tendo aulas remotamente. Os mercados continuam abastecidos. Não há corte de energia, de água ou gás, mas a gasolina está sendo racionada”, comentou Veras.

Veras também destacou a rápida substituição de Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como um sinal da solidez institucional do Irã. A escolha foi feita pela Assembleia dos Especialistas no fim de fevereiro, dias após a morte de Khamenei. “O Irã está muito bem estruturado legalmente. E o sistema tem uma resiliência muito grande”, avaliou.

O embaixador alertou que a escolha de Seyyed pode intensificar as críticas internas ao regime, que enfrenta protestos contra o aumento do custo de vida e repressão política. “A revolução islâmica foi feita contra um regime hereditário. E, agora, assumir o filho [de Ali Khamenei], cria uma impressão de que o sistema substituído permanece, de outra forma”, ponderou.

Veras também comentou que, até o momento, não houve necessidade de discutir a retirada de brasileiros do Irã, pois as fronteiras terrestres estão abertas e há poucos brasileiros no país. Ele mantém contato diário com as chefias do Itamaraty, que informam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva constantemente.

Embora a resistência ao ataque seja uma questão de “vida ou morte” para o regime, Veras não descarta uma solução diplomática. Ele acredita que o Irã precisa do fim das sanções econômicas, enquanto os EUA precisam de paz para que a economia global funcione. “Mesmo que alguns possam pensar que o [eventual controle do] fornecimento de petróleo vai favorecer este ou aquele país, em uma economia globalizada, todos perdem [com uma guerra]”, advertiu.

O embaixador concluiu que os custos da continuidade da guerra seriam altos para todos os lados e que há espaço para uma solução diplomática, pois os custos da guerra estão aumentando.

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