Emendas Parlamentares Direcionam R$ 61 Milhões para Shows, Suficiente para 40 Apresentações de Roberto Carlos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um levantamento revelou que R$ 61 milhões em emendas de transferência especial, conhecidas como emendas Pix, direcionados por deputados e senadores para financiar shows em todo o Brasil, seriam suficientes para pagar até 40 apresentações de Roberto Carlos, um dos artistas com os cachês mais altos do país.

De acordo com a apuração, o cantor recebe, em média, R$ 1,5 milhão para um show privado no eixo Rio-São Paulo. O valor pode ser maior dependendo da data e localidade. Roberto Carlos não apareceu na lista de artistas que se apresentaram em eventos bancados pelas emendas parlamentares em 2025. Apesar disso, fez apresentações públicas, como em Salvador em dezembro, sendo o pagamento bancado integralmente por patrocinadores privados.

Especialistas do setor explicam que os cachês de artistas têm patamares pré-estabelecidos, mas também possuem “muita margem de manobra”. Para shows bancados por prefeituras, por exemplo, o custo geralmente é mais elevado, pois os contratos envolvem a estrutura completa e todos os profissionais relacionados à realização do evento. O pagamento nesses casos ocorre posteriormente, até 60 dias após a apresentação, o que contribui para a precificação mais alta.

Em 2025, parlamentares enviaram 131 emendas Pix para custear shows em todo o país, com a maioria destinada a artistas de renome regional, mas também incluindo grandes nomes como Wesley Safadão, Leonardo, Bell Marques, Amado Batista e Mikael Santos. Wesley Safadão, por exemplo, recebeu R$ 900 mil para se apresentar em Malhador, cidade de 11.712 habitantes em Sergipe, com o financiamento integral proveniente de uma emenda parlamentar.

A relação completa dos cantores e grupos, assim como o volume total dos recursos, permanece incerta devido à opacidade dos repasses. Apesar das regras de transparência mais rigorosas impostas pelo STF desde o ano passado, ainda é possível encontrar valores que, meses após os espetáculos, carecem de prestação de contas.

Embora o uso do dinheiro seja legal, levanta questionamentos sobre a conveniência e a qualidade desse gasto público. Bruno Bondarovsky, fundador da plataforma Central das Emendas, avalia que, quando um parlamentar pode movimentar quase R$ 100 milhões por ano do Orçamento, sem custo político ou vínculo com o destino final da verba, a prática se transforma de política pública em estratégia eleitoral.

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