Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico em fevereiro de 2026

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O nível de endividamento das famílias brasileiras alcançou um recorde histórico em fevereiro de 2026, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (11), revelou que 80,2% dos lares declararam ter algum tipo de dívida, o maior percentual já registrado.

Esse resultado representa um aumento em relação a janeiro, quando a taxa era de 79,5%, e também em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando estava em 76,4%. Em um ano, o percentual de famílias endividadas cresceu 3,8 pontos percentuais, indicando que o uso do crédito permanece elevado no país.

O indicador abrange diversos compromissos financeiros, incluindo faturas de cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, empréstimos pessoais, crédito consignado e financiamentos de bens como carros ou imóveis. A proporção de famílias que afirmaram não ter dívidas caiu para 19,7%, em comparação a 20,5% no mês anterior.

O aumento do endividamento foi acompanhado por um crescimento na inadimplência, que subiu para 29,6% das famílias entrevistadas. Isso significa que quase três em cada dez lares têm dívidas em atraso, o índice mais alto desde novembro do ano passado, quando atingiu cerca de 30%. Apesar do aumento nos atrasos, houve uma leve melhora na proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas, que caiu para 12,6%.

O avanço do endividamento foi observado em todos os grupos de renda. Entre os domicílios que recebem até três salários mínimos, 82,9% possuem dívidas, mesmo percentual entre aqueles com renda entre três e cinco salários mínimos. Nas famílias com rendimentos entre cinco e dez salários mínimos, o índice foi de 78,7%, enquanto que entre os grupos com renda superior a dez salários mínimos, 69,3% declararam ter algum tipo de compromisso financeiro.

A pesquisa também revelou que 19,5% dos consumidores destinam mais da metade da renda mensal para o pagamento de dívidas, enquanto 56,1% comprometem entre 11% e 50% da renda. Em média, os brasileiros alocam 29,7% do rendimento mensal para quitar dívidas, número semelhante ao registrado um ano antes, que era de 29,9%.

Economistas apontam que o elevado nível de endividamento é resultado de uma combinação de fatores, incluindo o uso intenso do cartão de crédito e o encarecimento do crédito ao consumidor. Levantamentos do Banco Central indicam que as taxas de juros para pessoas físicas permanecem altas, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial, aumentando o risco de atrasos nos pagamentos.

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