Enel SP aciona Justiça para suspender processo da Aneel sobre concessão

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A distribuidora Enel protocolou uma ação na Justiça Federal de Brasília para suspender o processo administrativo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que pode levar à recomendação de caducidade da concessão em São Paulo.

A empresa solicita que a diretoria da Aneel não delibere sobre o caso na reunião agendada para a próxima terça-feira (24) e que o voto do diretor-geral Sandoval Feitosa, que é favorável à extinção do contrato, seja anulado.

Feitosa declarou que a Aneel recorrerá caso a liminar seja concedida e expressou surpresa pela ação da empresa. Ele afirmou que o Judiciário é um caminho legítimo para a defesa de direitos, mas não deve interferir na atuação do órgão regulador.

A caducidade, considerada uma medida extrema, pode ser aplicada quando a concessionária descumpre obrigações contratuais e não consegue manter a prestação de serviços. O processo na Aneel foi iniciado após falhas significativas na distribuição de energia e demora no restabelecimento do serviço pela Enel na Grande São Paulo em 2024.

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No pedido de liminar protocolado no dia 17, os advogados da Enel alegam cerceamento de defesa, uma vez que o diretor-geral da Aneel votou pela sanção máxima dois dias antes do prazo para manifestação da concessionária, que era em 26 de fevereiro. Essa antecipação é vista como uma “decisão-surpresa” que viola o devido processo legal.

A Enel também argumenta que a Aneel tenta incorporar novos fatos ocorridos em dezembro de 2025, quando um apagão afetou cerca de 4,4 milhões de clientes, a uma investigação que originalmente tratava de eventos de 2024.

No voto contestado, Feitosa afirmou que a distribuidora perdeu a legitimidade social para operar em São Paulo, citando a execução inadequada de planos de contingência e a mobilização insuficiente de equipes para lidar com eventos climáticos extremos. Os descumprimentos resultaram em multas que ultrapassam R$ 320 milhões, muitas das quais estão judicializadas.

Durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, Feitosa criticou a decisão da Enel de acionar a Justiça, afirmando que isso interfere no processo administrativo da Aneel. Ele ressaltou que a concessionária deveria apresentar suas alegações dentro do processo e que a decisão final ainda não foi tomada.

Os cinco diretores da Aneel se reunirão no dia 24 para decidir se arquivam o processo ou se encaminham a recomendação de caducidade do contrato ao Ministério de Minas e Energia, que tem a autonomia para decidir. “A palavra final é do titular do serviço, que é a União Federal”, concluiu Feitosa.

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