A recuperação extrajudicial e a judicial são alternativas para empresas em dificuldades financeiras, segundo Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF.
Ele afirma que esses processos não significam o fim da empresa, mas sim uma tentativa de reorganizar as contas para evitar o fechamento. A recuperação judicial é utilizada quando a empresa precisa renegociar todas as dívidas com bancos, fornecedores e trabalhadores, ocorrendo sob supervisão da Justiça.
Gallegos explica que, nesse modelo, a companhia tem um prazo para apresentar um plano de pagamento aos credores. Por outro lado, a recuperação extrajudicial é mais focada e não abrange 100% das dívidas.
“Ela consegue isolar, por exemplo, apenas as dívidas financeiras com bancos”, afirmou o especialista. Essa estratégia permite aliviar as obrigações mais pesadas no caixa sem afetar fornecedores ou créditos trabalhistas, preservando a operação.
Esse tipo de solução tem sido cada vez mais utilizado por ser mais ágil. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, está negociando um acordo com credores para reorganizar parte de suas dívidas financeiras, enquanto continua com seu plano de reestruturação operacional.
A lógica é ganhar tempo e reorganizar o balanço sem interromper o funcionamento das lojas. No setor de energia e açúcar, a Raízen também busca alternativas para melhorar o perfil do endividamento e reforçar a liquidez em um ambiente desafiador.
Gallegos ressalta que cerca de 70% das companhias que entram em processos de recuperação conseguem continuar operando normalmente após a reestruturação. “É justamente o movimento para não falir”, concluiu.


