Enterro das vítimas do Césio-137 em Goiânia gera protestos e tensão entre moradores

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O enterro das vítimas do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, foi realizado sob protestos de moradores no dia 27 de março de 2026. O evento foi marcado por medo, desinformação e revolta. Imagens da época mostram que os moradores arremessaram pedras na área do cemitério, temendo contaminação.

Dados oficiais do governo indicam que quatro pessoas morreram diretamente devido ao acidente. Registros do acervo da TV Anhanguera mostram o momento em que os caixões chegaram ao local sob tensão. A ambulância que transportava os corpos foi alvo de ataques até conseguir acessar a área dos túmulos.

Relatos da época indicam que a população acreditava que os corpos ainda representavam risco de radiação, gerando reações violentas. “Todos falavam: ‘tira daqui, isso é lixo radioativo’”, afirmou a jornalista Mirian Tomé, que acompanhou o caso.

O acidente ocorreu em setembro de 1987, quando uma cápsula com material radioativo foi retirada de uma clínica abandonada e aberta em um ferro-velho no Setor Aeroporto. Moradores tiveram contato direto com o pó brilhante de césio-137 sem saber do risco, e a falta de informação sobre os efeitos da radiação contribuiu para o pânico coletivo.

- Publicidade -

Na época, nem mesmo as equipes envolvidas na resposta estavam preparadas. “Não estávamos preparados. Não tinha proteção nenhuma”, relatou o tenente-coronel da PM Luiz Gonzaga Barros Carneiro, que participou das ações.

O sepultamento de vítimas como Leide das Neves, de 6 anos, e Maria Gabriela, foi um dos momentos mais marcantes do acidente. O medo fez com que moradores tentassem impedir o sepultamento. “A ambulância que trazia os caixões foi alvejada por pedras até atingir a área dos túmulos”, narra a reportagem da época.

Além das pedradas, houve tentativas de impedir a entrada no cemitério, com pessoas gritando contra o enterro das vítimas. O caso é considerado o maior acidente radiológico fora de usinas nucleares no mundo, resultando em mortos, milhares de pessoas afetadas e mais de 6 mil toneladas de lixo radioativo.

Décadas depois, as imagens do enterro sob protesto ainda simbolizam o impacto do medo e da falta de informação em meio à maior tragédia radiológica já registrada no país.

Compartilhe esta notícia