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Infraestrutura

Entrega de casas para famílias afetadas por voçorocas em Buriticupu está atrasada

Amanda Rocha
Última atualização: 13 de março de 2026 10:33
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A entrega de casas destinadas a famílias afetadas por voçorocas em Buriticupu, no Maranhão, está atrasada há quase dois anos. O município, localizado a 415 km de São Luís, enfrenta um grave problema de erosão que já obrigou cerca de 360 famílias a deixarem suas residências.

As voçorocas, que cortam diversos bairros da cidade, já destruíram ou engoliram 83 casas. Parte das famílias afetadas se mudaram para outros municípios, enquanto outras vivem com parentes ou pagam aluguel do próprio bolso. Aproximadamente 90 famílias recebem aluguel social pago pela Prefeitura de Buriticupu.

Em 2023, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional liberou R$ 9.733.169,07 para ações relacionadas ao problema das voçorocas. Deste total, R$ 7.854.243,24 foram destinados à construção de 89 casas no conjunto Nova Buriti, que deveria abrigar as famílias que perderam suas moradias. O prazo para a entrega dessas casas terminou em julho de 2024, mas nenhuma unidade foi entregue até o momento.

Atualmente, 27 casas estão prontas, mas apresentam problemas de infiltração nas paredes e no forro, mesmo sem ocupação. Outras 33 unidades estão em fase de construção, mas as obras estão paralisadas. Além disso, uma escola que começou a ser construída no local também está com as obras paradas, acumulando água da chuva em áreas que deveriam ser salas de aula.

A proximidade do conjunto Nova Buriti com as voçorocas é uma preocupação para os moradores. Segundo Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, o residencial está a cerca de 600 metros das crateras que se formaram atrás do conjunto Eco Buriti. Este último, embora não tenha sido criado exclusivamente para vítimas das voçorocas, recebeu algumas famílias removidas de áreas de risco ao longo do tempo.

Em 2025, a Prefeitura de Buriticupu iniciou uma obra de contenção das crateras atrás do Eco Buriti, mas a enxurrada levou parte do material. O atraso no pagamento do aluguel social, no valor de R$ 500, também é um problema para algumas famílias. Isaías Cardoso explica que muitos proprietários não querem alugar para quem recebe esse benefício devido à demora nos pagamentos.

Jeferson dos Santos, um morador afetado, expressou a sensação de abandono por parte do poder público. Ele afirmou:

“‘A gente se sente incapacitado. A gente sente no corpo a negligência do serviço público.'”

Buriticupu é conhecida como a cidade das crateras gigantes, com voçorocas que surgem devido a processos erosivos graves. Em quatro décadas, 33 voçorocas foram catalogadas, e o fenômeno já causou a morte de sete pessoas. O professor Fernando Bezerra, da Universidade Estadual do Maranhão, sugere que é necessário investir na proteção do solo e preservar a vegetação em áreas próximas às encostas.

A situação das voçorocas em Buriticupu é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Maranhão. Em 3 de fevereiro de 2025, a Justiça determinou que o município adotasse medidas para enfrentar o problema, incluindo a sinalização das áreas de risco e a atualização do cadastro das famílias afetadas. Apesar da decisão, a Prefeitura de Buriticupu não se manifestou sobre o caso e apresentou recurso de apelação em março de 2025.

TAGGED:Buriticupudesastre naturalHabitaçãoinfraestruturaIsaías Cardoso AguiarJeferson dos SantosMaranhãoMinistério da Integração e do Desenvolvimento RegionalPrefeitura de BuriticupuUniversidade Estadual do Maranhãovoçorocas
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