O jornalista Teco Barbero, que atua há quase 25 anos, destaca os desafios da educação para pessoas cegas na região de Sorocaba. Ele acredita que é possível ‘enxergar além dos olhos’, utilizando o toque como forma de reconhecimento na arte. Teco, que não foi alfabetizado em Braille na infância, reflete sobre como seu processo de leitura poderia ter sido mais ágil se tivesse aprendido o sistema de pontos desde cedo.
O Braille, criado no século XIX por Louis Braille, surgiu da necessidade de inclusão de pessoas cegas. O método chegou ao Brasil em 1854, quando o professor José Alves de Azevedo convenceu o Imperador Dom Pedro II a fundar a primeira escola para cegos no Rio de Janeiro. Atualmente, a legislação brasileira exige a presença do Braille em espaços públicos.
A Biblioteca Municipal de Sorocaba é um exemplo de acessibilidade, oferecendo recursos como lupa eletrônica e óculos que transformam imagens em áudio. O acervo inclui quase 1,3 mil livros em Braille, audiolivros e jogos adaptados, atendendo tanto pessoas cegas quanto aquelas com baixa visão.
A alfabetização em Braille começa com o treinamento do tato através de diferentes texturas. A professora Melina Veríssimo, com mais de 20 anos de experiência, ressalta a importância de profissionais capacitados na educação de pessoas cegas, destacando a escassez desses profissionais no mercado.
Dados do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência mostram que, em 2024, havia 560 alunos com cegueira ou baixa visão na região de Sorocaba, mas 716 das mais de 2,2 mil escolas não possuíam acessibilidade. Apenas 10% dessas escolas tinham piso tátil e sinalização adequada.
A psicopedagoga Cláudia Guerra trabalha com pessoas que perderam a visão e precisam se alfabetizar em Braille. Ela utiliza jogos adaptados, como dominó, para estimular habilidades essenciais. Cláudia compartilha a satisfação de ver seus alunos superando desafios e aprendendo a jogar.
A inclusão se estende além da sala de aula. Melina relembra um passeio ao zoológico com um aluno, onde utilizou audiodescrição para enriquecer a experiência. ‘Foi enriquecedor’, conclui.


