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Segurança

Equador mobiliza 75 mil militares em operação contra cartéis de drogas com apoio dos EUA

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 11:08
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O Equador mobilizou 75 mil militares e policiais em 15 de março de 2026 para combater gangues e cartéis de drogas. A operação, que terá duração de duas semanas, conta com o apoio dos Estados Unidos e visa enfrentar o crime organizado em diversas regiões do país.

O ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, declarou que as operações são “em larga escala” e se concentram na mineração ilegal e no narcotráfico. “De 15 a 31 de março, 75 mil membros das forças de ordem estarão mobilizados executando operações simultâneas e coordenadas com inteligência militar contra essas estruturas criminosas”, afirmou Reimberg.

O ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, destacou que as operações são “de alta complexidade”, com presença em terra, ar e mar, visando recuperar territórios dominados por máfias. O governo do presidente Daniel Noboa tem implementado uma política rigorosa contra os cartéis da cocaína, mas os índices de violência permanecem elevados.

A operação é a primeira após o Equador aderir à “Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis”, uma iniciativa dos EUA para enfrentar o narcotráfico na região. Reimberg mencionou que as forças militares contarão com assessoria americana, mas não especificou se haverá militares dos EUA no território equatoriano.

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Reimberg pediu aos moradores das áreas afetadas que “não se arrisquem e não saiam de casa” durante o toque de recolher, que será imposto entre 23h e 5h locais. Apenas viajantes com passagens aéreas, profissionais de saúde e trabalhadores de serviços de emergência poderão circular nesse horário.

A medida gera preocupação entre jornalistas, transportadores e proprietários de negócios noturnos. Martha Ladines, padeira em Guayaquil, expressou sua insatisfação: “Disseram para nós que essa hora não será compensada porque há turnos de outros colegas, e vão descontar do salário”.

O Equador, embora não produza cocaína, tornou-se um importante ponto de trânsito da droga para os Estados Unidos, enfrentando uma das taxas de homicídio mais altas da América Latina, com 52 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.

O Equador também faz parte do “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países criada por Donald Trump para combater o narcotráfico. O acordo foi firmado em Miami no início de março. Noboa se alinha a países como El Salvador e Argentina, que apoiam a campanha americana para aumentar a influência dos EUA na América Latina.

As forças especiais americanas têm colaborado com os comandos equatorianos em treinamento e inteligência. Recentemente, o governo equatoriano anunciou a inauguração do primeiro escritório do FBI no país e, com apoio dos EUA, bombardeou um acampamento de uma dissidência das Farc na fronteira com a Colômbia.

A ofensiva do governo gera divisões entre os equatorianos, com denúncias de abusos por parte da força pública. Luis Villacís, vigilante de 58 anos, comentou: “O toque de recolher vai ser duro para muitos por causa do trabalho, mas é necessário para tentar controlar a insegurança em que vivemos”.

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