O Equador mobilizou 75 mil militares e policiais em 15 de março de 2026 para combater gangues e cartéis de drogas. A operação, que terá duração de duas semanas, conta com o apoio dos Estados Unidos e visa enfrentar o crime organizado em diversas regiões do país.
O ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, declarou que as operações são “em larga escala” e se concentram na mineração ilegal e no narcotráfico. “De 15 a 31 de março, 75 mil membros das forças de ordem estarão mobilizados executando operações simultâneas e coordenadas com inteligência militar contra essas estruturas criminosas”, afirmou Reimberg.
O ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, destacou que as operações são “de alta complexidade”, com presença em terra, ar e mar, visando recuperar territórios dominados por máfias. O governo do presidente Daniel Noboa tem implementado uma política rigorosa contra os cartéis da cocaína, mas os índices de violência permanecem elevados.
A operação é a primeira após o Equador aderir à “Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis”, uma iniciativa dos EUA para enfrentar o narcotráfico na região. Reimberg mencionou que as forças militares contarão com assessoria americana, mas não especificou se haverá militares dos EUA no território equatoriano.
Reimberg pediu aos moradores das áreas afetadas que “não se arrisquem e não saiam de casa” durante o toque de recolher, que será imposto entre 23h e 5h locais. Apenas viajantes com passagens aéreas, profissionais de saúde e trabalhadores de serviços de emergência poderão circular nesse horário.
A medida gera preocupação entre jornalistas, transportadores e proprietários de negócios noturnos. Martha Ladines, padeira em Guayaquil, expressou sua insatisfação: “Disseram para nós que essa hora não será compensada porque há turnos de outros colegas, e vão descontar do salário”.
O Equador, embora não produza cocaína, tornou-se um importante ponto de trânsito da droga para os Estados Unidos, enfrentando uma das taxas de homicídio mais altas da América Latina, com 52 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.
O Equador também faz parte do “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países criada por Donald Trump para combater o narcotráfico. O acordo foi firmado em Miami no início de março. Noboa se alinha a países como El Salvador e Argentina, que apoiam a campanha americana para aumentar a influência dos EUA na América Latina.
As forças especiais americanas têm colaborado com os comandos equatorianos em treinamento e inteligência. Recentemente, o governo equatoriano anunciou a inauguração do primeiro escritório do FBI no país e, com apoio dos EUA, bombardeou um acampamento de uma dissidência das Farc na fronteira com a Colômbia.
A ofensiva do governo gera divisões entre os equatorianos, com denúncias de abusos por parte da força pública. Luis Villacís, vigilante de 58 anos, comentou: “O toque de recolher vai ser duro para muitos por causa do trabalho, mas é necessário para tentar controlar a insegurança em que vivemos”.


