O petróleo se tornou um dos principais pontos de atenção no mercado financeiro devido à guerra entre os Estados Unidos e Israel com o Irã. O Oriente Médio é a principal região produtora da commodity, e o Estreito de Ormuz, que está em águas iranianas, é uma rota para cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Analistas destacam que a potencial escalada do conflito e os choques de oferta estão sendo monitorados de perto, pois podem pressionar os preços do petróleo além da marca dos US$ 80. Logo que o mercado futuro abriu na noite de domingo (1º), o preço do petróleo Brent disparou mais de 12%, alcançando cerca de US$ 82 por barril.
Na segunda-feira (2), o contrato para maio fechou em alta de 6,68%. Na terça-feira (3), o preço rompeu os US$ 80, registrando uma alta de 4%. Na quarta-feira (4), embora tenha iniciado a sessão buscando os US$ 85, o Brent encerrou o dia praticamente estável, em US$ 81,40.
Apesar da desaceleração na alta, analistas afirmam que isso não significa que o mercado está distensionado. Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, afirmou:
““A acomodação dos preços na quarta-feira parece refletir um movimento de maior cautela do mercado, após dois dias de altas mais intensas. No entanto, não é possível afirmar que os riscos estejam plenamente precificados.””
Pedro Souza, líder de O&G da consultoria BIP, destacou que o patamar em torno de US$ 80 pode pressionar a inflação no país se persistir e que a trajetória do preço do barril dependerá da duração e do grau de escalada da guerra no Oriente Médio. Ele comentou:
““A alta recente reflete principalmente o risco geopolítico, já que a região concentra rotas estratégicas de escoamento de petróleo.””
O Estreito de Ormuz, considerado crucial para o transporte global de petróleo, já enfrenta a maior parada comercial desde a pandemia. O fechamento do canal foi ventilado desde o início do conflito, e empresas de transporte marítimo começaram a evitar a região por questões de segurança, reduzindo o tráfego total no estreito em cerca de 75% até o final do primeiro dia de conflito. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou o bloqueio da rota na segunda-feira.
Embora o presidente dos Estados Unidos tenha anunciado a intenção de garantir os fluxos por meio da Marinha norte-americana, o plano ainda não foi implementado, e não se observa a passagem de navios nos volumes habituais. Garcia ponderou:
““Quanto mais prolongado for o fechamento do estreito, maior tende a ser a pressão altista sobre os preços do petróleo.””
Frederico Nobre, líder de análise de ações na Warren Investimentos, afirmou que o mercado trabalha com a expectativa de que o Estreito de Ormuz permaneça fechado entre 2 e 4 semanas. Ele ressaltou que, se essa previsão se concretizar, o preço do petróleo deve estabilizar, mas se o fechamento se prolongar, pode haver um aumento nos preços. Nobre também destacou que uma escalada do conflito envolvendo a China ou um prolongamento do conflito pode impactar ainda mais o fluxo comercial no Estreito de Ormuz.

