Escalada de tensão no Oriente Médio coloca Estreito de Ormuz em alerta

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A escalada de tensão no Oriente Médio trouxe novamente o Estreito de Ormuz para o centro das preocupações do mercado de energia. O Irã afirmou ter atacado um petroleiro americano próximo à região e vem dificultando a passagem de navios na área.

O especialista em petróleo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, explicou que qualquer interrupção no estreito teria um impacto imediato no abastecimento global. Ele destacou que entre 20% e 30% do petróleo comercializado no mundo passa por essa rota, totalizando de 20 milhões a 30 milhões de barris por dia.

Pires também ressaltou que a dependência é ainda maior entre os países produtores da região. “Cerca de 85% da produção da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes, do Bahrein, de quase toda a OPEP do Oriente Médio passa pelo Estreito de Ormuz”, disse.

Essa dependência significa que qualquer bloqueio poderia provocar rapidamente turbulências nos preços do petróleo e na logística global de energia. O especialista chamou atenção para o tamanho do estreito, que possui cerca de 33 quilômetros, e para a facilidade de provocar um bloqueio. “Se você explode dois navios ali dentro, qual vai ser a consequência?”, questionou.

Além do petróleo, outros produtos essenciais, como fertilizantes e ureia, também transitam pela mesma rota. Pires explicou que, em um cenário de interrupção prolongada, o impacto poderia atingir cadeias produtivas importantes, incluindo o agronegócio.

O especialista fez um alerta sobre as consequências de um cenário extremo de destruição da passagem. “Vou torcer para que o Irã não cometa uma medida de efeito grave que além de fechar, destruir, por exemplo, o Estreito de Ormuz. Imagina ter ou fazer obras para recuperar o estreito depois do conflito?”, afirmou. Segundo ele, além da crise energética imediata, o mundo enfrentaria um problema logístico de longo prazo.

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