As investigações sobre o escândalo do Banco Master estão gerando dúvidas sobre seus efeitos no sistema financeiro brasileiro. O mercado observa atentamente a possibilidade de uma delação premiada que envolva autoridades e integrantes do setor público.
Analistas acreditam que o impacto do caso será mais reputacional do que econômico. Em entrevista ao programa Mercado, apresentado por Marcela Rahal, o analista de investimentos Alison Correia afirmou que, apesar da gravidade do episódio, não há sinais de risco sistêmico para o setor financeiro.
““Para o mercado como um todo, é mais um risco de imagem do que um risco sistêmico”,”
disse.
Uma das principais preocupações é o possível envolvimento de servidores do Banco Central nas investigações. Correia destacou que qualquer suspeita envolvendo a autoridade monetária pode causar desgaste institucional.
““Se você tem membros envolvidos do Banco Central, uma entidade cuja independência foi tão difícil de conquistar, claro que isso pega muito mal”,”
afirmou.
A independência do Banco Central é considerada essencial para garantir decisões técnicas na política monetária. Apesar da repercussão política e institucional do caso, Correia afirmou que os mercados não demonstram preocupação com efeitos estruturais.
““Uma coisa é preço, cotações, risco sistêmico. Isso a gente não imagina que vai ter”,”
disse.
O impacto mais imediato do escândalo recai sobre investidores que aplicaram valores acima do limite protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos, que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Isso significa que investidores com valores superiores podem enfrentar perdas.
““Muitas pessoas investiram muito mais e não vão ver esse dinheiro”,”
afirmou Correia.
Nos bastidores, cresce a expectativa de que uma eventual colaboração premiada possa ampliar o alcance das investigações. Segundo Correia, há especulações de que novos depoimentos possam citar políticos e autoridades de alto escalão. No entanto, ele ressalta que o mercado financeiro tende a separar os efeitos políticos do funcionamento econômico do sistema.


