O combate à corrupção, um tema recorrente nas eleições brasileiras, voltou a ser destaque com os recentes escândalos do Banco Master e das fraudes no INSS. A pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 11 de março de 2026 mostra que 20% dos eleitores consideram a corrupção a questão mais preocupante, um aumento em relação aos 13% registrados em maio de 2025.
Historicamente, a corrupção tem sido utilizada como arma política. Jânio Quadros, em 1960, usou uma vassoura como símbolo de seu governo, prometendo varrer a corrupção. Fernando Collor, em 1989, se apresentou como o “caçador de marajás”, mas também enfrentou denúncias de corrupção. Em 2006, o mensalão foi um escândalo que afetou a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, que, apesar disso, venceu as eleições.
Após um período em que o tema ficou em segundo plano, a corrupção voltou a ser central nas eleições de 2018, impulsionada pela Lava-Jato, que levou Jair Bolsonaro ao poder com um discurso antissistema. No entanto, Bolsonaro não foi reeleito em 2022 e foi preso por tentativa de golpe de Estado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado suas críticas a Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ligando-os a suspeitas de corrupção. Flávio mencionou movimentações financeiras de R$ 19 milhões de Lulinha em quatro anos, questionando a origem do dinheiro. Ele também trouxe à tona casos antigos que envolvem Lula, como o sítio de Atibaia.
Por outro lado, o PT se prepara para atacar Flávio Bolsonaro, relembrando escândalos como a investigação sobre rachadinha em seu gabinete e a compra de uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões. A estratégia do PT é adiar o embate direto até abril, quando os prazos eleitorais estiverem mais claros.
A CPMI do INSS está em andamento, com o PT tentando convocar pessoas ligadas a Flávio. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Flávio tem um histórico de corrupção. Apesar da estratégia do PT, a ascensão do tema corrupção gera preocupação, especialmente devido ao desgaste acumulado pelo partido em escândalos anteriores.
O cientista político Eduardo Grin destacou que o PT perdeu sua imagem de defensores da moralidade pública e enfrenta uma oposição mais competente. O clima de desconfiança em relação ao sistema político pode beneficiar candidatos que se posicionam como antissistema.
As eleições de 2026 prometem ser acirradas, com Lula e Flávio empatados em 41% nas projeções de segundo turno. A corrupção continua sendo uma preocupação central para os eleitores, e o debate eleitoral deve refletir a gravidade do tema, evitando que se torne um mero embate político.


