A escalada do conflito no Oriente Médio está impactando o transporte aéreo global, com risco de escassez de combustível para aviação e efeitos diretos sobre voos de longa distância.
O fechamento do Estreito de Ormuz, que é responsável por cerca de um quinto do petróleo mundial, tem reduzido a oferta e elevado os preços da energia, pressionando o setor aéreo.
Segundo a International Air Transport Association, a crise revelou fragilidades na cadeia de abastecimento de querosene de aviação, especialmente na Europa, que depende em até 30% de suprimentos do Golfo.
A redução na disponibilidade de combustível já levanta a possibilidade de cortes de operação e cancelamento de voos, mesmo em aeroportos com oferta local mais estável.
Dados da consultoria Cirium mostram que mais de 46 mil voos foram cancelados desde o início do conflito, no fim de fevereiro, o que representa uma queda de até 10% na capacidade global de transporte aéreo em determinados momentos, sendo o maior impacto desde a pandemia de Covid-19.
A interrupção de rotas que passam pelo Oriente Médio tem forçado companhias aéreas a buscar trajetos alternativos, que são mais longos e caros.
O aumento dos custos já se reflete nas tarifas. Em rotas entre Ásia e Europa, passagens chegaram a subir mais de 80% em poucas semanas, enquanto bilhetes em classe executiva registraram alta de cerca de 40%.
Em alguns casos, os preços praticamente triplicaram, refletindo o desequilíbrio entre oferta reduzida e demanda ainda elevada.
Além da pressão sobre as passagens, a alta do petróleo, que ultrapassou US$ 110 por barril, também afeta diretamente a estrutura de custos das companhias aéreas, já que o combustível pode representar até um terço das despesas operacionais.
O cenário tende a manter a volatilidade no setor nas próximas semanas, impactando tanto empresas quanto consumidores.

