Análise: Escolta de navios no Estreito de Ormuz seria custosa a longo prazo

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O Estreito de Ormuz é uma área marítima de difícil defesa, com rotas de navegação que possuem apenas duas milhas náuticas de largura (3,74 km). Os navios precisam contornar ilhas do Irã e uma costa montanhosa, que oferece cobertura às forças iranianas, conforme relatado pela corretora de transporte marítimo SSY Global.

A marinha convencional do Irã foi em grande parte destruída, mas a Guarda Revolucionária Islâmica ainda possui um arsenal considerável de armas, incluindo lanchas de ataque rápido, embarcações não tripuladas, minissubmarinos, minas e jet-skis carregados de explosivos, segundo Tom Sharpe, comandante aposentado da Marinha Real Britânica.

A escolta de três ou quatro embarcações por dia seria viável a curto prazo, mas seriam necessários cerca de oito destroieres para fornecer cobertura, dependendo de uma redução no risco de ataques por minissubmarinos. O custo dessa operação seria alto, exigindo mais recursos, afirmou Sharpe.

Adel Bakawan, diretor do Instituto Europeu de Estudos do Oriente Médio e Norte da África, destacou que, mesmo que a capacidade do Irã de implantar mísseis balísticos, drones e minas flutuantes fosse destruída, os navios ainda enfrentariam a ameaça de operações suicidas. O Centro para a Resiliência da Informação, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos, informou que Teerã tem capacidade para produzir cerca de 10.000 drones por mês.

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Kevin Rowlands, editor do RUSI Journal, afirmou que, se a guerra se prolongar, algum tipo de escolta será providenciada. Ele ressaltou que “o mundo precisa que o petróleo flua pelo Golfo, e por isso estão em andamento planos para implementar medidas de proteção”.

Rowlands também mencionou que os ataques constantes do Irã contra países vizinhos aumentam a incerteza para empresas que enviam mercadorias pela região. “Se você é um operador de transporte, um capitão de um navio que está na região, será muito complicado entender o que está ocorrendo e se você pode se mover, ou se é melhor ficar onde está”, disse.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que vários países europeus, a Índia e outros estados asiáticos estão planejando uma missão conjunta para fornecer proteção, mas ressaltou que tal operação só poderia ocorrer após o fim do conflito. A França já deslocou mais de 10 navios de guerra, incluindo o porta-aviões Charles de Gaulle, para o Mar Vermelho e potencialmente para o Estreito de Ormuz.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou com os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, e da Itália, Giorgia Meloni, sobre opções para fornecer apoio à navegação comercial no estreito. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA forneceriam proteção aos petroleiros através do Estreito, mas não especificou como isso ocorreria.

Rowland explicou que a escolta poderia ser realizada por diferentes meios, incluindo vigilância por satélite e aérea, reforçada por aeronaves de patrulha e navios de superfície. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm buscado alternativas ao estreito através da construção de mais oleodutos, mas essas opções ainda não estão operacionais.

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O Estreito de Ormuz é crucial para a economia global, pois é a única saída marítima para países produtores de petróleo e gás, como Kuwait, Irã, Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos. Os preços do petróleo subiram brevemente para o nível mais alto desde 2022, e a ONU alertou que altos preços podem desencadear uma crise do custo de vida, semelhante àquela após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Um conflito prolongado também poderia impactar os preços dos fertilizantes, colocando em risco a segurança alimentar global, visto que cerca de 33% dos fertilizantes do mundo passam pelo Estreito, conforme a empresa de análise Kpler. Esse cenário pode alimentar temores de uma crise econômica global semelhante às que ocorreram após os choques do petróleo no Oriente Médio na década de 1970.

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