O escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), informou que recebeu apenas R$ 4 milhões dos R$ 38 milhões em honorários advocatícios vendidos à Reag Investimentos. A Reag é suspeita de atuar junto ao Banco Master em operações consideradas ‘atípicas’.
Em nota, o escritório esclareceu que, em decorrência da cessão, ele e outra firma de advocacia receberam 27% do valor do honorário. Assim, R$ 4 milhões foram destinados ao escritório de Ibaneis e R$ 6 milhões à outra firma. ‘Trata-se, pois, de negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia’, afirmou a nota.
O contrato foi celebrado em 29 de maio de 2024, mais de um ano antes da operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag. Durante os meses seguintes, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Master e tentou adquirir o banco, mas a transação foi barrada pelo Banco Central.
A defesa de Ibaneis declarou que o governador está afastado do escritório desde 2018 e negou sua participação nas negociações. A Reag e o BRB não se manifestaram sobre o caso.
O contrato de 2024 envolveu o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e outra firma de advocacia, que cederam ao fundo Reag Legal Claims, atualmente chamado Pedra Azul FIDC, R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios ainda não recebidos de uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis).
A cessão funcionou como uma antecipação de pagamento, onde os escritórios venderam a dívida para o fundo por um valor inferior aos R$ 38,12 milhões, recebendo o dinheiro ‘no ato’. O documento acessado não revela o valor efetivamente pago pela Reag, ou seja, o deságio da transação.
Uma representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela oposição a Ibaneis pediu a investigação de indícios de ‘relação econômica privada’ entre o governador e a Reag, mencionando o executivo Marcos Ferreira Costa, ligado à Reag. Costa aparece como diretor do fundo Pedra Azul FIDC e como representante da Reag na assembleia de acionistas do BRB que aprovou o aumento de capital do banco em março de 2025.
A Reag Investimentos, fundada em 2013, se tornou uma das maiores gestoras independentes do Brasil, administrando R$ 299 bilhões. Em janeiro de 2026, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no sistema financeiro.
O BRB e o governo do Distrito Federal tentaram adquirir a maior parte do Banco Master, injetando R$ 16,7 bilhões, sendo que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse valor estão sob suspeita de irregularidades. O Banco Central barrou a compra do Master e definiu a liquidação extrajudicial do banco, congelando ativos que seriam transferidos ao BRB.
A defesa de Ibaneis reiterou que ele não possui informações sobre negociações realizadas após seu afastamento e que nunca participou de negociações com Marcos Ferreira Costa ou outros representantes da Reag.

