O escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), firmou um contrato em 2024 com um fundo da Reag Investimentos, que é suspeita de atuar junto ao Banco Master em operações irregulares. O contrato foi celebrado em maio de 2024, mais de um ano antes da operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag.
Durante os meses seguintes, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Master e tentou adquirir o banco, mas a transação foi barrada pelo Banco Central. O BRB ainda busca reaver o dinheiro investido.
A oposição a Ibaneis solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue indícios de uma “relação econômica privada” entre o governador e a Reag. A negociação foi revelada em 10 de março de 2026 pelo blog da Malu Gaspar.
A defesa de Ibaneis afirmou que ele está afastado do escritório desde 2018 e negou sua participação nas negociações. O contrato foi assinado em 29 de maio de 2024 entre o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e o fundo Reag Legal Claims, atualmente chamado Pedra Azul FIDC.
Os escritórios de advocacia cederam ao fundo da Reag R$ 38,12 milhões em honorários ainda não recebidos, de uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis). Essa cessão funcionou como uma antecipação de pagamento, mas o valor pago pela Reag não foi especificado.
A oposição também mencionou o executivo Marcos Ferreira Costa, ligado à Reag, que é diretor do fundo Pedra Azul FIDC. Costa também foi representante da Reag na assembleia de acionistas do BRB que aprovou o aumento de capital do banco, onde a Reag já detinha mais de 10% das ações.
A Reag Investimentos, fundada em 2013, é uma das maiores gestoras independentes do Brasil, tendo administrado R$ 299 bilhões. Recentemente, o Banco Central determinou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ligada à Reag, após a Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades financeiras.
O BRB e o governo do DF tentaram adquirir a maior parte do Banco Master, mas a compra foi barrada pelo Banco Central. O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, e pelo menos R$ 12,2 bilhões desse valor estão sob suspeita de irregularidades. As transações fragilizaram o patrimônio do BRB, que agora busca recuperar o caixa.
“A defesa do Governador Ibaneis Rocha esclarece que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento. Esclarece-se, ainda, que o Governador Ibaneis nunca participou de quaisquer negociações com o Sr. Marcos Ferreira Costa, tampouco com outros representantes dessa empresa.”


