Espécie invasora jaqueira afeta biodiversidade na Mata Atlântica

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A jaqueira, uma espécie invasora, tem causado impactos significativos na biodiversidade da Mata Atlântica, especialmente na Reserva Biológica Duas Bocas, no Espírito Santo. Um estudo realizado pelo Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi publicado no periódico Biological Invasion.

Os pesquisadores investigaram como a presença da jaqueira altera a estrutura do chão da floresta e os efeitos sobre diferentes espécies de sapos que habitam a serapilheira. Os resultados indicam que a jaqueira simplifica o habitat, reduzindo recursos essenciais e desencadeando efeitos em cascata sobre a fauna.

Áreas dominadas por jaqueiras apresentam uma camada de folhas mais rasa e menor abundância de artrópodes, organismos fundamentais para o ecossistema. A diminuição da serapilheira torna o ambiente mais simples, fazendo com que micro-hábitats desapareçam e a retenção de umidade diminua, resultando em condições menos estáveis para espécies sensíveis.

O estudo analisou três espécies de sapos com diferentes exigências ecológicas. A espécie Rhinella crucifer, conhecida como sapo-cururuzinho, foi registrada com maior frequência em áreas invadidas, enquanto a Haddadus binotatus, ou rãzinha-do-folhiço, apresentou queda acentuada em áreas com alta densidade de jaqueiras. A terceira espécie, Proceratophrys schirchi, conhecida como sapo-de-chifres, não foi afetada diretamente, mas sua ocorrência estava associada à profundidade da serapilheira e à diversidade de artrópodes.

Os pesquisadores alertam que a persistência de uma espécie em áreas invadidas não significa que a invasão seja benéfica. Muitas vezes, isso favorece espécies mais tolerantes à degradação, enquanto as mais especializadas desaparecem, levando à homogeneização biológica e à diminuição da diversidade funcional.

Os resultados do estudo reforçam que a jaqueira representa uma ameaça real à biodiversidade da Mata Atlântica. O manejo de espécies invasoras deve considerar os efeitos indiretos sobre a fauna, e a remoção da jaqueira deve ser acompanhada por ações que restauram a complexidade do habitat.

O financiamento da pesquisa foi apoiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pela Rufford Foundation. A publicação do artigo foi possível pelo acordo entre a Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a editora Springer Nature.

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