O Estádio Azadi, o maior complexo esportivo do Irã, foi bombardeado nesta quinta-feira (5) em Teerã, durante o sexto dia consecutivo de ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
De acordo com a emissora Al Jazeera, uma coluna de fumaça foi vista subindo acima da arena que faz parte do complexo. A televisão estatal iraniana informou que o local foi atingido por mísseis.
Com capacidade para cerca de 78 mil pessoas, o Azadi é um dos principais palcos do esporte no país. O estádio foi inaugurado oficialmente em outubro de 1971 e construído para receber os Jogos Asiáticos de 1974, os primeiros realizados no Oriente Médio.
Atualmente, o local recebe partidas dos dois maiores clubes do país, Persepolis e Esteghlal FC, além de jogos da Seleção Iraniana de Futebol. O estádio também se tornou um símbolo de um momento histórico para os direitos das mulheres no Irã.
Em outubro de 2019, torcedoras foram autorizadas a entrar no Azadi para assistir à partida entre Irã e Camboja, pelas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2022. Foi a primeira vez em 40 anos que mulheres puderam assistir a um jogo de futebol masculino em um estádio no país desde a Revolução Iraniana de 1979, quando a presença feminina nas arquibancadas passou a ser proibida.
Na ocasião, cerca de 4 mil ingressos foram reservados para mulheres em um setor específico do estádio. O Irã venceu o Camboja por 14 a 0, em um jogo que ficou marcado pela celebração das torcedoras no Azadi.
A mudança ocorreu após pressão da Fifa, que ameaçou suspender o país de competições internacionais caso a restrição continuasse. No entanto, a pressão só veio após a morte da torcedora Sahar Khodayari, conhecida como “Garota Azul” por usar as cores do Esteghlal.
Khodayari foi presa em 2019 após tentar entrar no estádio disfarçada de homem para assistir a uma partida. Ela foi presa por três dias e liberada sob fiança, tendo que aguardar seis meses pelo seu julgamento. Após saber que poderia ser condenada a até dois anos de prisão, ela ateou fogo ao próprio corpo em frente ao tribunal e morreu dias depois.
““A Fifa expressa suas condolências à família e aos amigos de Sahar e reitera seus apelos às autoridades iranianas para que garantam a liberdade e a segurança de todas as mulheres envolvidas nessa luta legítima para acabar com a proibição de mulheres nos estádios do Irã”, disse a Fifa em comunicado divulgado na época.”
O caso gerou protestos e repercussão internacional, ampliando a pressão sobre o governo iraniano para permitir a presença de mulheres nos estádios.

