O Estreito de Ormuz se tornou o centro das atenções devido à escalada militar no Irã. Nesta semana, empresas de transporte marítimo e seguradoras receberam mensagens atribuídas à Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, que anunciavam a proibição de navegação na região. Na segunda-feira, o governo iraniano confirmou o fechamento da passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse atravessá-la.
Desde o fechamento, ao menos nove navios comerciais foram atingidos, resultando na morte de seis tripulantes. O professor de geopolítica Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, afirmou que essa medida faz parte da estratégia militar do Irã, visando aumentar a pressão internacional e conter ataques ao território iraniano.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima crucial, ligando o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico, com apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito. A região é cercada por grandes produtores de petróleo, como Irã, Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e cerca de 20% do petróleo mundial passa por ali, além de 20% a 25% do comércio global de gás natural.
Normalmente, o fluxo de petróleo na região movimenta entre 300 milhões e 360 milhões de dólares por dia. A navegação no estreito exige precisão, pois os navios petroleiros podem transportar até 300 mil toneladas de petróleo. O tráfego é organizado em faixas separadas por uma zona de segurança, mas as condições desafiadoras, como correntes marítimas fortes e ventos intensos, aumentam os riscos de acidentes.
Historicamente, o Estreito de Ormuz já foi palco de conflitos, como durante a Guerra do Golfo em 1991, quando minas marítimas foram espalhadas na região. Especialistas alertam que a presença de minas transforma a travessia em uma operação de alto risco. Atualmente, a Guarda Revolucionária iraniana controla a área, utilizando minas, drones e embarcações rápidas como parte de sua estratégia naval.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas destruíram várias embarcações iranianas em operações recentes, e um submarino de ataque dos EUA lançou um míssil contra uma fragata iraniana no Oceano Índico, resultando em 87 corpos encontrados e 32 pessoas resgatadas. Esse evento é considerado raro na história militar, sendo o afundamento de um navio inimigo por um submarino nuclear algo que não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial.
O Irã, apesar de ter uma marinha menor que a americana, utiliza tecnologias assimétricas, como drones de longo alcance e sistemas de mísseis, para pressionar adversários e manter o bloqueio do estreito. O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, destacou que a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, depende do estreito para escoar sua produção, e qualquer interrupção pode afetar a economia global.
Atualmente, os Estados Unidos afirmaram que podem escoltar petroleiros para garantir a passagem segura, mas o Estreito de Ormuz permanece parcialmente fechado. Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico aguardando a normalização do tráfego marítimo.


