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Saúde

Estresse na adolescência pode causar mudanças permanentes no cérebro, aponta estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 12:39
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) revelou que situações estressantes vividas na adolescência podem causar alterações mais profundas e duradouras no cérebro em comparação com o estresse na vida adulta.

A pesquisa identificou um dos mecanismos neurológicos por trás dessa diferença, oferecendo novas pistas sobre a origem de transtornos psiquiátricos como depressão e esquizofrenia. Os pesquisadores comprovaram que a exposição ao estresse na adolescência interfere no equilíbrio dos neurônios, comprometendo a maturação de redes neurais e aumentando a vulnerabilidade a disfunções cerebrais que podem persistir até a vida adulta.

Os resultados foram publicados na revista Cerebral Cortex e demonstraram que o estresse na adolescência provoca mudanças permanentes nos circuitos do córtex pré-frontal, que é responsável pelo controle emocional e função cognitiva.

““Estudos epidemiológicos já haviam demonstrado que o impacto do estresse severo é mais profundo na adolescência. Em nosso trabalho, comprovamos que ele causa desequilíbrio na comunicação entre células cerebrais nas duas fases da vida. No entanto, como o cérebro adolescente ainda está em formação, não há proteção suficiente contra esse impacto”, disse Felipe Gomes, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e coordenador do estudo.”

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Na pesquisa, ratos machos foram submetidos a um protocolo de estresse ao longo de dez dias consecutivos, com choques nas patas e restrição de movimento. Os experimentos foram realizados em dois grupos distintos: animais na fase da adolescência (31 a 40 dias de vida) e na fase adulta (65 a 74 dias).

Os cientistas analisaram alterações de curto e longo prazo na atividade de neurônios excitatórios e inibitórios no córtex pré-frontal medial. Nos ratos adolescentes, o estresse provocou um aumento persistente na atividade dos neurônios excitatórios e alterou de forma duradoura o funcionamento dos inibitórios, resultando em um desequilíbrio prolongado.

““O estudo também mostrou que o mau funcionamento dos interneurônios afetou os ritmos elétricos cerebrais. Nos adolescentes, houve uma redução duradoura nas oscilações gama, fundamentais para processos cognitivos superiores, como atenção e memória de trabalho”, explicou Gomes.”

Em contraste, nos roedores adultos, o estresse causou apenas uma redução temporária na atividade dos interneurônios inibitórios, permitindo que o sistema se reequilibrasse após o período de estresse. “A recuperação desse ritmo sugere que a conectividade cerebral foi restabelecida”, completou Gomes.

Além disso, o estudo sugere que um indivíduo geneticamente vulnerável pode desenvolver esquizofrenia se exposto a traumas na adolescência, enquanto o mesmo trauma na vida adulta pode desencadear depressão. Os pesquisadores ressaltam a importância de estratégias preventivas voltadas aos jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade emocional.

TAGGED:AdolescênciaCérebroEstresseFapespFelipe GomesRibeirão PretoSão PauloUniversidade de São Paulo
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