Um estudo do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade da Carolina do Norte revelou que adolescentes passam quase um terço do dia letivo conectados a smartphones. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira, 9 de março de 2026.
A pesquisa acompanhou jovens de 11 a 18 anos do sudoeste dos Estados Unidos e mostrou que o uso do celular não ocorre apenas nos intervalos, mas de forma persistente ao longo de todas as horas de aula. Os pesquisadores afirmam que essa fragmentação da atenção prejudica habilidades fundamentais para o sucesso acadêmico.
Os dados revelam que, em média, os jovens passam 2,22 horas do período escolar conectados ao smartphone, checando o aparelho cerca de 64 vezes durante as aulas. Mais de 70% do tempo de tela é dedicado a redes sociais e aplicativos de entretenimento. Alunos mais velhos (15 a 18 anos) passam cerca de 23 minutos por hora no celular, enquanto os mais novos (11 a 14 anos) passam 11 minutos.
“O que mais nos surpreendeu foi a enorme quantidade de tempo que os adolescentes passam nos seus celulares durante a escola”, afirmou Kaitlyn Burnell, professora assistente de pesquisa e coautora do estudo.
O estudo identificou que checar o celular repetidamente é mais prejudicial ao controle cognitivo do que o tempo total que o aluno passa olhando para a tela. Essas interrupções frequentes causam a fragmentação da atenção, dificultando o foco profundo necessário para a aprendizagem. “Nossas descobertas mostram que a verificação frequente do telefone pode minar as próprias competências de que os alunos precisam para ter sucesso na sala de aula”, explicou Eva Telzer, professora de psicologia e neurociência e autora principal do trabalho.
Os pesquisadores defendem que as escolas adotem políticas que limitem o acesso a plataformas altamente estimulantes durante o tempo de instrução. No entanto, ressaltam que o simples banimento pode não ser suficiente para resolver o impacto profundo que esses aparelhos têm no bem-estar cognitivo e social dos jovens.
No Brasil, o uso de celulares nas escolas foi proibido por meio de uma lei sancionada em janeiro de 2025, válida durante aulas, recreios e intervalos. Diversas instituições relataram um período inicial de adaptação desafiador, com alunos demonstrando crises de abstinência. Apesar dos desafios, muitos professores e alunos notaram maior concentração nas aulas e melhora nas notas após a implementação da proibição.


