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Saúde

Estudo revela que apneia do sono agrava perda muscular em pacientes com DPOC

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 10:58
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A combinação da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e da Saos (síndrome da apneia obstrutiva do sono) causa um impacto significativo na força e na qualidade muscular dos pacientes, conforme estudo publicado na revista Scientific Reports.

A DPOC é caracterizada por dificuldades respiratórias e limitações em atividades cotidianas, enquanto a Saos está associada a roncos intensos e sonolência diurna. O estudo revela que a coexistência dessas condições leva a uma perda de força muscular mais acentuada, resultando em desfechos clínicos mais graves, como hospitalizações e maior risco de morte.

““Por isso, alertamos ser fundamental investigar a qualidade do sono em todos os pacientes com DPOC”, afirma Audrey Borghi Silva, coordenadora do Laboratório de Fisioterapia Cardiopulmonar da Ufscar.”

A pesquisa analisou 44 indivíduos, divididos entre pacientes com DPOC e Saos e aqueles com DPOC isolada. Os resultados mostraram diferenças significativas no desempenho funcional. A força de preensão palmar foi de 26 quilograma-força (kgf) no grupo com ambas as condições, enquanto no grupo com DPOC isolada foi de 30 kgf. No teste de caminhada de seis minutos, os pacientes com DPOC e Saos percorreram, em média, 300 metros, em comparação com 364 metros dos pacientes apenas com DPOC.

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Distâncias inferiores a 350 metros nesse teste estão associadas a um maior risco de hospitalizações e mortalidade, evidenciando o impacto negativo da combinação das doenças. O estudo também identificou que o índice de dessaturação de oxigênio (IDO) durante o sono está mais fortemente associado à perda de qualidade muscular do que o índice de apneia-hipopneia (IAH).

““Isso sugere que a hipóxia noturna intermitente pode ser um mecanismo fisiopatológico central na perda de massa e função muscular em pacientes com DPOC e Saos”, explica Patrícia Faria Camargo, pesquisadora principal do estudo.”

Camargo ressalta que tanto a DPOC quanto a apneia do sono estão ligadas à inflamação sistêmica e ao aumento do estresse oxidativo. A combinação dessas condições pode agravar o dano às mitocôndrias, comprometendo a regeneração muscular e resultando em um ciclo de enfraquecimento progressivo.

O estudo destaca a importância do rastreio dos distúrbios respiratórios do sono em pacientes com DPOC, impactando políticas de saúde pública e programas de reabilitação. Embora a DPOC não seja reversível, pode ser controlada com medicamentos e mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares e alimentação equilibrada.

No caso da Saos, o uso de dispositivos como CPAP ajuda a manter as vias aéreas abertas, e a atividade física contribui para a redução do tecido adiposo nas vias aéreas. Medidas comportamentais, como evitar álcool e sedativos antes de dormir, também são recomendadas.

TAGGED:ApneiaAudrey Borghi SilvaDoenças respiratóriasFapespPatrícia Faria CamargoPulmõesUniversidade Federal de São Carlos
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