Um estudo publicado no dia 16 de março de 2026 no Journal of Neuroscience revelou que adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apresentam maior atividade cerebral semelhante ao sono enquanto estão acordados. Essa descoberta pode explicar a dificuldade de foco em tarefas que exigem atenção prolongada.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Monash, na Austrália, analisou a atividade cerebral de 32 adultos com TDAH que haviam suspendido a medicação e 31 adultos sem o transtorno. Os participantes realizaram uma tarefa de atenção sustentada, que exigia foco contínuo.
Os resultados mostraram que o grupo com TDAH teve mais episódios de atividade cerebral associada a falhas de atenção, erros na tarefa, tempos de reação mais lentos e maior sensação de sonolência. A neurocientista Elaine Pinggal, coordenadora do estudo, comentou:
““A atividade cerebral semelhante ao sono é um fenômeno normal que acontece durante tarefas exigentes.””
Ela explicou que, enquanto todos experimentam breves momentos de atividade semelhante ao sono, pessoas com TDAH apresentam isso com mais frequência.
““Nossa pesquisa sugere que esse aumento pode ser um mecanismo cerebral fundamental que ajuda a explicar por que esses indivíduos têm mais dificuldade em manter atenção e desempenho consistentes durante as tarefas.””
Além disso, as análises indicaram que essa atividade pode ser a conexão entre o TDAH e as dificuldades de atenção, sugerindo que o cérebro com TDAH não falha por falta de esforço, mas sim por entrar em um estado semelhante ao sono com mais facilidade.
O estudo também abre possibilidades para intervenções. Pesquisas anteriores mostraram que a estimulação auditiva durante o sono pode intensificar ondas lentas cerebrais em pessoas sem TDAH, reduzindo a atividade semelhante ao sono durante a vigília. Pinggal destacou que uma próxima etapa da pesquisa pode investigar se essa abordagem pode ajudar pessoas com TDAH.
O gráfico apresentado no estudo mostra mapas da atividade cerebral de adultos com TDAH e de pessoas sem o transtorno durante uma tarefa de atenção. As cores indicam a intensidade da atividade cerebral associada a estados de sonolência, revelando que essa atividade é mais disseminada no cérebro de participantes com TDAH, especialmente em áreas ligadas à atenção.


