Um estudo recente publicado na revista Dendrochronologia revelou a origem da madeira utilizada na fabricação dos violinos Stradivarius. A pesquisa identificou que a espécie de madeira é a Picea abies, uma conífera de regiões alpinas, especialmente da altitude de Trentino, no norte da Itália.
O violino de Itzhak Perlman, que pertenceu a Yehudi Menuhin, exemplifica a elegância sonora dos instrumentos de Antonio Stradivari, que produziu cerca de 800 peças entre os séculos XVII e XVIII. A escolha da madeira não era aleatória, pois o crescimento em áreas montanhosas resulta em madeira com anéis estreitos e regulares, características que influenciam a vibração e projeção do som.
Os autores do estudo afirmam: “Por volta do início do século XVIII, Stradivari parece ter passado a privilegiar madeira das Dolomitas”. Antes disso, ele utilizava madeira de diversas origens. A pesquisa também revelou que Stradivari frequentemente usava madeira do mesmo tronco para fabricar várias peças, indicando que ele explorava fontes com propriedades acústicas ideais.
A investigação analisou 314 séries de anéis de crescimento de 284 instrumentos autênticos, criando o maior conjunto de dados sobre os violinos de Stradivari. A parte frontal do instrumento, chamada de “tábua harmônica”, foi utilizada para buscar a “impressão digital” da madeira.
Além da madeira, o arco do violino, que tange as cordas, também é crucial para a produção do som. O relojoeiro francês François Xavier Tourte revolucionou o arco no final do século XVIII, criando o arco côncavo moderno, que utiliza pau-brasil como material. O pau-brasil, árvore tropical da Mata Atlântica, é flexível e resistente, tornando-se o padrão para a fabricação de arcos nas orquestras.
Atualmente, o comércio do pau-brasil, ameaçado de extinção, enfrenta rigorosos controles e conflitos entre músicos e autoridades ambientais. No Brasil, a extração do pau-brasil nativo praticamente cessou devido a operações contra o contrabando e ao endurecimento das regras de exportação.
A ciência ajudou a esclarecer parte do mistério da madeira usada por Stradivari, mas o encanto e o enigma dos instrumentos continuam a fascinar músicos e apreciadores.


