Estudo Aponta Necessidade de Políticas Públicas para Reduzir Impactos da Menopausa

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um estudo divulgado nesta terça-feira (3) pelo Instituto Esfera, em Brasília, alerta para a necessidade de políticas públicas específicas a fim de reduzir os impactos para as mulheres no período da menopausa. A pesquisa destaca a importância de atenção especial para mulheres negras e em situação de vulnerabilidade.

Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora Clarita Costa Maia, uma das responsáveis pelo estudo, explicou que as mulheres mais vulnerabilizadas no país, entre elas as negras e residentes em comunidades desassistidas, ficam ainda mais sujeitas ao impacto que esse período pode causar no âmbito da saúde e do trabalho.

“O que constatamos é que a menopausa tem um componente biológico que atinge mais as mulheres negras e há o cruzamento de vulnerabilidades. São mulheres que sentem a menopausa com mais peso, biologicamente e socialmente falando”, explicou.

A pesquisadora ressaltou que essa vulnerabilidade deixa a mulher numa posição pior em relação aos outros estratos sociais, especialmente por muitas vezes serem o sustentáculo de suas famílias.

“Ela é, em regra, o arrimo de família e líder familiar. São mulheres que ficam numa posição muito frágil no mercado de trabalho”, afirmou.

Os sintomas da menopausa, incluindo os físicos e psicológicos não tratados, levam, segundo a pesquisadora, a uma insustentabilidade da relação profissional, impactando todo o núcleo familiar. Diante desse cenário, o estudo defende que as políticas públicas brasileiras levem em consideração que tratar a mulher na menopausa é cuidar de todo o núcleo familiar.

Clarita Costa Maia, que é da área do direito, acrescenta que os sintomas não tratados podem gerar sérias consequências na saúde mental.

“Aumentam significativamente as chances de desenvolvimento de Alzheimer, de depressão e diversas outras consequências relacionais advindas disso”, explicou.

O estudo também aborda o fenômeno da menopausa precoce, relacionada ao estilo de vida contemporâneo.

“Nosso modo de vida está aumentando a menopausa e a andropausa precoce”, disse a pesquisadora.

O documento aponta para a necessidade de aumentar a atenção das redes públicas de saúde devido ao envelhecimento populacional.

“São fases complicadas, de altos e baixos emocionais. Pode haver rupturas em nível pessoal das quais a pessoa precisa se recuperar com o tempo e não está entendendo o que ocorre consigo mesma”, ponderou.

O afastamento do trabalho, segundo o estudo, gera reflexos como maior pressão previdenciária.

“Ao invés de estarmos com trabalhadoras na sua melhor fase intelectual, surgem mais problemas previdenciários e sociais”, disse.

A pesquisa defende a necessidade de um mapeamento completo sobre a menopausa no Brasil. “A ausência de política pública nacional estruturada para a menopausa não é neutra. Produz efeitos concretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres, com custos que se projetam sobre o sistema de saúde, a Previdência Social e a produtividade nacional”, aponta o documento.

De acordo com o estudo, dados internacionais indicam custos anuais de US$ 26,6 bilhões nos Estados Unidos e US$ 150 bilhões globalmente, além de queda de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam nessa fase, com 87,9% apresentando sintomas, mas apenas 22,4% buscam tratamento.

“A magnitude do problema é proporcional à sua invisibilidade. Tratar a menopausa como política pública não significa patologizar o envelhecimento feminino, mas reconhecê-lo como etapa legítima do ciclo de vida que demanda cuidado, informação e proteção institucional”, conclui o documento.

“summary”: [“Estudo do Instituto Esfera alerta para a necessidade de políticas públicas para mulheres na menopausa.

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