Estudo revela benefícios da ejaculação para a fertilidade masculina

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um novo estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, revelou que aumentar a frequência de ejaculação pode trazer benefícios significativos para a qualidade dos espermatozoides e a fertilidade masculina. Tanto a masturbação quanto as relações sexuais podem otimizar o perfil dos gametas masculinos e suas chances de fecundar um óvulo.

A pesquisa analisou dados de 115 estudos publicados que avaliaram amostras de sêmen de quase 55 mil homens. Os autores descobriram que a saúde dos espermatozoides diminuía expressivamente quando os homens deixavam de ejacular por um período. A vitalidade e a capacidade de locomoção das células eram afetadas, resultando em um estoque de espermatozoides de menor qualidade e habilidade de fecundar.

Os cientistas identificaram duas causas principais para essa deterioração. A primeira é o estresse oxidativo, descrito como uma forma de ferrugem biológica que pode danificar fisicamente os espermatozoides. A segunda é a diminuição de energia das células quando armazenadas por muito tempo.

Essas descobertas têm implicações importantes para casais que desejam ter filhos e para recomendações a homens que estão passando por tratamentos como a fertilização in vitro (FIV). Atualmente, as orientações sugerem que os homens ejaculam entre dois e sete dias antes da coleta de sêmen. No entanto, o estudo indica que períodos mais curtos podem já ter consequências negativas sobre os gametas.

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A pesquisa está alinhada com observações anteriores em primatas, que também se masturbam. Os especialistas levantam a hipótese de que a masturbação pode ter um benefício biológico e adaptativo, eliminando espermatozoides danificados ou menos habilidosos armazenados no corpo.

O time de Oxford também investigou se a deterioração dos espermatozoides durante o armazenamento é um padrão biológico mais amplo, analisando dados de dezenas de pesquisas com 30 espécies animais diferentes, incluindo mamíferos, aves, répteis e até abelhas. Os resultados mostraram que o fenômeno observado em humanos se repete em outras espécies, com células germinativas acumuladas por períodos prolongados sendo menos aptas a produzir prole.

Além disso, os cientistas notaram que os espermatozoides se deterioram mais rapidamente dentro do organismo masculino em comparação ao tempo em que já foram ejaculado e estão no corpo da fêmea. A hipótese é que as fêmeas produzem substâncias que nutrem e protegem o esperma.

As descobertas da equipe britânica não apenas oferecem novas informações sobre os benefícios da masturbação para a qualidade dos espermatozoides, mas também podem contribuir para a revisão das recomendações para homens e casais que estão tentando engravidar.

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