Pesquisadores da Universidade de Yamaguchi, no Japão, descobriram como gatos conseguem se reorientar em quedas livres. O estudo foi publicado no periódico The Anatomical Record.
O fenômeno, conhecido como “problema do gato que cai”, intriga cientistas há mais de um século. Em 1894, o fisiologista francês Étienne-Jules Marey registrou a queda de um gato com uma das primeiras câmeras de alta velocidade, mostrando que o animal conseguia se endireitar antes de tocar o chão.
O novo estudo foca na coluna vertebral dos gatos, analisando cinco colunas de gatos doados para pesquisa. Os pesquisadores descobriram que a região torácica da coluna é três vezes mais flexível que a lombar, permitindo uma manobra excepcional durante a queda.
Os resultados mostraram que a região torácica possui uma “zona neutra” de cerca de 47 graus, onde há pouca resistência ao giro, enquanto a região lombar não apresenta essa característica. Essa combinação de flexibilidade e rigidez pode explicar como os gatos se endireitam no ar.
Para validar suas descobertas, os pesquisadores gravaram dois gatos em quedas controladas de aproximadamente um metro. As filmagens revelaram que o movimento ocorre em duas fases: primeiro, a parte dianteira se reorienta, seguida pela parte traseira, com uma defasagem temporal de 94 milissegundos em um gato e 72 milissegundos no outro.
Além disso, os gatos mostraram uma tendência a girar para a direita, o que pode estar relacionado a assimetrias internas. Os pesquisadores acreditam que os achados podem melhorar modelos matemáticos de movimento animal e auxiliar veterinários no tratamento de lesões na coluna.
O físico Greg Gbur, da Universidade da Carolina do Norte, comentou que o estudo o levou a reconsiderar algumas conclusões anteriores e sugeriu a necessidade de filmagens em múltiplos ângulos para um melhor entendimento do fenômeno.
Os gatos não desafiam as leis da física; sua anatomia e movimentos refinados permitem que utilizem essas leis para se reorientar durante a queda.

