Estudo revela que neurogênese pode explicar memória em idosos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um novo estudo publicado na revista acadêmica Nature revela que a neurogênese, ou produção de novos neurônios, pode explicar por que algumas pessoas com mais de 80 anos mantêm uma capacidade cognitiva semelhante à de adultos jovens. A pesquisa, liderada pela Universidade de Illinois, em Chicago, analisou o hipocampo de indivíduos falecidos, incluindo superidosos e pacientes com demência.

A pesquisa constatou que o cérebro de superidosos gera mais que o dobro de células nervosas em comparação ao de idosos típicos. O hipocampo é uma região crucial para a memória e é afetada por doenças como o Alzheimer. O estudo revelou que esses octogenários com cognição excepcional também apresentavam neurônios imaturos, indicando que a neurogênese pode ocorrer na maturidade.

““Os cientistas descobriram nesse estudo que não só existe neurogênese na idade adulta como na velhice, algo pouquíssimo descrito até agora”, disse Wyllians Borelli, neurologista e coordenador do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.”

A pesquisa envolveu a análise post-mortem do hipocampo de 38 pessoas de diferentes idades e estados cognitivos. Os participantes foram divididos em grupos, incluindo adultos jovens, idosos cognitivamente saudáveis, superidosos e indivíduos com demência leve ou Alzheimer. Os cientistas examinaram mais de 350.000 núcleos de células dessa região.

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Os resultados mostraram que os superidosos tinham aproximadamente 2,5 vezes mais neurônios jovens do que os indivíduos com demência e cerca de duas vezes mais do que os idosos normais. Além disso, a equipe identificou uma assinatura de resiliência entre os superidosos, revelada pela expressão de certos genes.

““Eles auxiliam a entender por que superidosos com mais de 80 anos podem ter memória semelhante à de pessoas com 60”, afirmou Borelli.”

A pesquisa também destacou que a neurogênese na velhice pode ser um fator de proteção contra o Alzheimer, onde a perda de neurônios é progressiva. Os cientistas observaram sinais moleculares de resiliência neuronal em superidosos, com níveis comparáveis aos de adultos jovens, envolvendo a expressão do BDNF, conhecido como “fertilizante de neurônios”.

Além disso, mudanças na configuração dos astrócitos, células que dão suporte aos neurônios, foram identificadas. Borelli explicou que essas células, antes consideradas secundárias, são essenciais para o cérebro e que processos degenerativos como o Alzheimer começam com elas.

““Astrócitos dos superidosos apresentam uma mudança de conformação que pode resguardar melhor os neurônios”, concluiu Borelli.”

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