Dados da Agência Espacial Europeia sugerem que o Sol pode ter nascido em uma região diferente da Via Láctea. A estrela pode ter se originado muito perto do centro galáctico e migrado ao longo de bilhões de anos para a área onde atualmente se encontra o Sistema Solar.
A informação foi obtida a partir de análises realizadas pelo satélite Gaia, que mapeia com precisão a posição, o movimento e diversas características físicas de bilhões de estrelas da galáxia. Os dados permitiram aos cientistas analisar milhares de estrelas semelhantes ao Sol, conhecidas como “gêmeas solares”, e reconstruir uma possível trajetória percorrida ao longo de bilhões de anos.
“Encontramos muito mais gêmeas solares com idades semelhantes à do Sol do que eu esperava”, afirmou Daisuke Taniguchi, astrônomo da Tokyo Metropolitan University. O estudo foi publicado em dois artigos da Astronomy & Astrophysics na última quinta-feira, 12.
Os pesquisadores identificaram evidências de uma migração estelar em massa que ocorreu entre 4 e 6 bilhões de anos atrás. Nesse processo, estrelas que se formaram em regiões mais próximas do centro galáctico foram lentamente deslocadas para áreas mais externas. Esse movimento ocorre ao longo de milhões ou bilhões de anos, provocado por interações gravitacionais com estruturas da galáxia, como os braços espirais.
Se confirmado, o resultado pode ajudar a explicar melhor a história do Sistema Solar. O centro da galáxia é uma região mais densa e energeticamente ativa, com maior frequência de explosões de supernovas e níveis mais intensos de radiação. Ao migrar para uma região mais periférica da Via Láctea, o Sol teria passado a orbitar em um ambiente relativamente mais estável, condição que pode ter sido importante para a formação e manutenção da vida na Terra.
A pesquisa também reforça a ideia de que as estrelas da Via Láctea não permanecem necessariamente próximas do local onde nasceram. Interações gravitacionais podem alterar suas órbitas e provocar grandes deslocamentos dentro da galáxia.
Além de reconstituir a possível origem do Sol, o estudo abre caminho para novas investigações sobre estrelas que podem ter se formado no mesmo aglomerado original do Sistema Solar. Esses “irmãos solares”, hoje espalhados pela galáxia, podem ajudar os cientistas a entender melhor as condições que marcaram o nascimento do nosso sistema planetário há cerca de 4,6 bilhões de anos.


