Estudos revelam avanço de superbactérias em ambientes urbanos e domésticos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Pesquisadores apoiados pela Fapesp publicaram três estudos que mostram a crescente presença de bactérias resistentes a antimicrobianos no cotidiano. Um clone altamente resistente foi encontrado no rio Tietê, em São Paulo, conforme publicado na revista One Health.

Outra pesquisa, divulgada no periódico Veterinary Microbiology, identificou uma variante mortal de uma bactéria em um cão doméstico que faleceu após internação. Em 2023, um clone multirresistente de Staphylococcus aureus causou infecção generalizada em uma jovem de 18 anos, que havia sido internada com torcicolo e uma espinha no rosto.

““Esses são apenas alguns casos mais recentes que mostram como devemos abordar essa questão seriamente do ponto de vista da Saúde Única”, disse Nilton Lincopan, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.”

Lincopan, que coordena os estudos, ressaltou a necessidade de políticas públicas de educação e diagnósticos rápidos. O clone encontrado no rio Tietê, da espécie Acinetobacter baumannii, possui genes de resistência e virulência, dificultando o tratamento de infecções.

A coleta foi realizada pela Cetesb como parte do projeto OneBR. A bactéria é resistente a carbapenêmicos, uma classe de antibióticos considerada crítica pela OMS. A hipótese é que a contaminação se deu por efluentes hospitalares.

““Além de novos antibióticos, será necessário desenvolver novos tratamentos de efluentes”, afirmou Lincopan.”

Outro estudo revelou que uma cadela de dois anos foi contaminada por uma linhagem resistente de Klebsiella pneumoniae e faleceu após complicações. O animal já havia recebido tratamento com antibióticos, mas a bactéria que causou sua morte era resistente a carbapenêmicos.

Lincopan observou que infecções urinárias por superbactérias estão se tornando comuns em animais domésticos, com a possibilidade de transmissão por humanos. O estudo teve a participação de alunos e pesquisadores de diversas instituições, incluindo a Unimes e a Unifesp.

Em um caso alarmante, uma variante de Staphylococcus aureus causou sepse em uma jovem, com resistência a meticilina, que resultou em 23.400 mortes nas Américas em 2019. Lincopan enfatizou a importância de um diagnóstico laboratorial cuidadoso para infecções comunitárias.

““Os laboratórios de apoio molecular são essenciais para identificar patógenos de prioridade crítica”, concluiu Lincopan.”

A OMS considera a resistência antimicrobiana uma das principais ameaças à saúde pública, com estimativas de 1,27 milhão de mortes atribuídas a superbactérias em 2019.

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