O governo dos Estados Unidos tem sinalizado às mineradoras com projetos de minerais críticos no Brasil que instituições financeiras ligadas a Washington estão dispostas a apoiar não apenas a extração, mas também etapas intermediárias e mais avançadas da cadeia produtiva no país.
Isso inclui o financiamento de plantas de refino e separação. O objetivo central dos EUA é reduzir a dependência global da China e reorganizar cadeias produtivas de insumos críticos.
Atualmente, a China domina não só a produção mineral, mas também as etapas mais complexas da cadeia, como separação química, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado.
Esse direcionamento foi explicitado no memorando de entendimento firmado entre Goiás e os Estados Unidos na última quarta-feira (18). O documento, que não tem caráter juridicamente vinculante, prevê o desenvolvimento de etapas industriais completas no estado, incluindo a separação de terras raras e a produção de ligas metálicas.
O Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, afirmou: “O Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de cadeias globais de suprimentos de minerais críticos seguras e resilientes. Os EUA já estão investindo mais de 600 milhões de dólares em projetos de minerais críticos no Brasil, e vemos o potencial para bilhões de dólares adicionais de investimento americano nessa área.”
A produção de bens finais no Brasil, como ímãs ou baterias, ainda é vista como um desafio mais distante, pois essas etapas pertencem a cadeias industriais distintas da mineração e exigem a atração de novos setores produtivos.
Um exemplo de agregação de valor é o projeto da Brazilian Nickel, no Piauí, que prevê a produção de mixed hydroxide precipitate, um composto intermediário utilizado na cadeia global de baterias. Outro projeto é o de Araxá, da St George Mining, que busca minerar nióbio e terras raras no mesmo depósito.

