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EUA não considerarão posição do Brasil sobre PCC como organização terrorista, afirma Gakiya

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP), Lincoln Gakiya, afirmou em entrevista que os Estados Unidos não considerarão a posição do governo brasileiro sobre a classificação do PCC como organização terrorista. A declaração foi feita na tarde desta quarta-feira, 11 de março de 2026.

Nos últimos meses, Gakiya participou de encontros com assessores diretos do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. ‘Eles queriam conhecer o funcionamento do PCC’, disse o promotor, que investiga a facção criminosa há 20 anos e vive sob escolta policial 24 horas devido a ameaças de morte que recebe desde 2005.

No ano passado, representantes norte-americanos estiveram em Brasília e São Paulo para obter informações sobre a ameaça do PCC, que impacta não apenas o Brasil, mas também outros países. Esta semana, Gakiya se reunirá novamente com representantes do governo dos EUA para compartilhar informações sobre o crime organizado e a atuação do PCC.

A conversa deve alinhar os tópicos que serão discutidos em um encontro do promotor com a DEA (Drug Enforcement Administration), FBI (Federal Bureau of Investigation) e o Departamento de Estado dos EUA em Boston, Massachusetts, ainda neste mês.

Um levantamento revelou que o PCC se instalou em ao menos 28 países e se infiltrou em presídios no exterior para recrutar novos membros e expandir negócios de tráfico de drogas e armas, além da lavagem de dinheiro. No total, são 2.078 integrantes, a maioria dentro de prisões.

O relatório do Ministério Público de São Paulo tem sido apresentado a embaixadas e consulados para cooperação internacional no combate a crimes transnacionais. O promotor Gakiya destacou que, embora o PCC pratique atos de natureza terrorista, como os ataques de 2006 em São Paulo, a facção não possui objetivos políticos ou ideológicos, mas sim de dominação territorial e lucro com negócios ilícitos.

O governo brasileiro tenta frear a discussão nos EUA sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, pelo menos até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitou a Rubio que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar essas facções como grupos terroristas.

A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano terá um prazo de sete dias para análise. O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro deseja mostrar como tem atuado no combate ao crime organizado.

Lula pretende realizar uma visita oficial à Casa Branca para se reunir com Trump. A data do encontro ainda não foi definida devido a dificuldades de agendas.

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