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Política

EUA iniciam ofensiva para acessar minerais críticos do Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 13 de março de 2026 06:49
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva bilionária para garantir acesso às reservas de minerais críticos e terras raras do Brasil. O país possui entre 20% e 23% das reservas mundiais de terras raras, a segunda maior do mundo, atrás apenas da China.

Esses minerais, como nióbio, lítio e cobalto, são essenciais para a fabricação de baterias elétricas, ímãs para turbinas eólicas, chips eletrônicos, aviões, mísseis e satélites. A estratégia americana envolve tanto investidores privados quanto setores do governo, incluindo o Departamento de Guerra.

Na frente econômica, os EUA planejam aumentar investimentos em empresas brasileiras ou estrangeiras que já atuam na pesquisa ou exploração desses minerais. Fontes indicam que os americanos estão dispostos a investir “dezenas de bilhões de dólares” em parcerias com mineradoras.

Politicamente, o governo dos EUA busca que o Brasil assine um acordo sobre minerais críticos rapidamente. Uma proposta preliminar foi enviada ao Ministério das Relações Exteriores em fevereiro. O governo brasileiro, por sua vez, analisa a proposta em preparação para um encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump.

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A reunião, prevista para este mês em Washington, ainda não foi confirmada. O governo Lula acredita que não há pressa para assinar o acordo, dada a posição estratégica do Brasil como fornecedor de matéria-prima.

Os EUA têm intensificado sua busca por minerais críticos desde o ano passado, mapeando empresas que atuam na extração de terras raras. Em setembro de 2025, anunciaram um aporte de US$ 5 milhões na mineradora Aclara, que possui projetos em Goiás. Em fevereiro deste ano, a mineradora Serra Verde recebeu um financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.

O investimento na Serra Verde é considerado estratégico, já que a empresa é responsável pela maior parte da produção de terras raras do Brasil, que em 2025 exportou US$ 12 milhões, com 99,4% destinado à China. Em dezembro, a Serra Verde anunciou o fim do contrato de fornecimento para a China até o final de 2026.

Uma nova etapa da ofensiva americana ocorrerá em São Paulo, onde será realizado um fórum sobre minerais críticos. O evento reunirá empresários brasileiros e americanos, membros dos governos e bancos de investimento, com o objetivo de fomentar novas parcerias.

Representantes de mineradoras “juniors” apresentarão seus projetos a investidores, e os americanos exigem que essas empresas priorizem o mercado dos EUA ou de aliados, restringindo o acesso da China. Especialistas alertam que será difícil contornar a China, pois os EUA não têm capacidade técnica para refinar alguns minerais.

A importância do tema é tamanha que representantes do Departamento de Guerra e do Departamento de Energia dos EUA devem estar presentes no fórum. Os minerais críticos são essenciais para a indústria militar e eletrônica.

Apesar do interesse americano, o governo brasileiro se mostra reticente em assinar acordos que limitem suas exportações, especialmente para a China, seu principal parceiro comercial. O Brasil busca garantir investimentos no processamento de terras raras em seu território, evitando o modelo de exportação de commodities.

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