Ad imageAd image

EUA proíbem fotógrafos em coletivas do secretário da Defesa após imagens desfavoráveis

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos proibiu a presença de fotógrafos nas duas últimas coletivas de imprensa do secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre a guerra contra o Irã. A decisão foi tomada após a divulgação de imagens do secretário que foram consideradas “desfavoráveis” por integrantes de sua equipe, conforme fontes ouvidas pelo Washington Post.

A mudança ocorreu após uma coletiva realizada no Pentágono em 2 de março, poucos dias após o ataque militar que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. Assessores do secretário criticaram a aparência de Hegseth nas fotografias publicadas pela imprensa.

Na coletiva, fotógrafos de agências internacionais, como Associated Press, Reuters e Getty Images, registraram o evento, que também contou com a presença do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto. As imagens foram amplamente distribuídas para veículos de comunicação em todo o mundo.

Após a repercussão negativa, a equipe do secretário decidiu barrar fotógrafos nas coletivas seguintes, realizadas no Pentágono em 4 e 10 de março. Apenas repórteres de texto credenciados puderam participar, enquanto o registro visual passou a ser restrito a fotógrafos oficiais do Departamento de Defesa.

Em nota, o secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, afirmou que a medida visa “utilizar de forma mais eficiente o espaço na sala de imprensa”. Segundo ele, cada veículo pode enviar um representante às coletivas, e as fotos produzidas pelo governo são disponibilizadas online para uso da imprensa.

A restrição ocorre em meio ao agravamento das tensões entre o governo do presidente Donald Trump e jornalistas que cobrem o Pentágono. O clima se deteriorou ainda mais em outubro do ano passado, quando centenas de jornalistas credenciados devolveram seus crachás de acesso ao Pentágono em protesto contra uma nova política que restringia pedidos de informação e contatos não autorizados pelo governo.

Grande parte dos principais veículos decidiu abandonar suas posições no local em vez de aceitar as novas regras impostas pela administração Trump, que limitavam a circulação dos repórteres e as fontes com quem poderiam conversar. Eles foram gradualmente substituídos por um novo grupo de jornalistas que aceitou as condições estabelecidas pelo governo, muitos deles ligados a veículos alinhados politicamente ao presidente.

A disputa chegou à Justiça, com o jornal The New York Times e o repórter Julian E. Barnes entrando com uma ação contra o governo, argumentando que as novas normas violam garantias constitucionais de liberdade de imprensa e de devido processo legal. Um juiz federal em Washington analisa atualmente pedidos de julgamento sumário após audiências realizadas na última semana.

Compartilhe esta notícia