Europa apoia guerra dos EUA e Israel contra Irã; Espanha diverge

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Os principais países da Europa, com exceção da Espanha, têm manifestado apoio político e de defesa aos esforços de Israel e dos Estados Unidos (EUA) na guerra contra o Irã, visando uma “mudança de regime”. O Reino Unido, a França e a Alemanha não condenaram os ataques a Teerã, que violam o direito internacional, mas justificaram a guerra, atribuindo ao Irã a responsabilidade pelo conflito.

As potências europeias exigem que o Irã aceite as condições impostas por EUA e Israel. O Reino Unido não condenou os ataques, mas criticou as retaliações de Teerã contra bases dos EUA no Oriente Médio, enquanto fornece suporte logístico a Washington. A França, que promete aumentar seu estoque de ogivas nucleares, condena o programa nuclear iraniano, e o presidente Emmanuel Macron enviou navios de guerra para o Oriente Médio para operações defensivas.

A Alemanha afirmou que não é hora de dar “lições” aos parceiros que agrediram o Irã e compartilha dos objetivos de EUA e Israel de derrubar o governo de Teerã. Em declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e informaram que tomarão ações defensivas para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones”.

Portugal autorizou os EUA a utilizarem suas bases militares nos Açores, enquanto a Itália busca apoio de defesa aos países do Golfo e critica a repressão do Irã contra a população civil. O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, destacou que a Europa, exceto a Espanha, tomou partido na guerra a favor de EUA e Israel, ao denominar o governo iraniano como criminoso.

Teixeira comentou que a posição da Europa é preocupante, pois o ataque ao Irã ocorreu durante negociações com os EUA, fragilizando o direito internacional. Em resposta ao apoio europeu, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que navios de EUA, Israel e países europeus não devem cruzar o Estreito de Ormuz.

O professor Chico Texeira, da UFRJ, afirmou que os países europeus tentam barganhar posição com Washington às custas do Irã, em meio a ameaças de Trump sobre a Groenlândia. A posição mais pró-EUA é da Alemanha, onde o premier Friedrich Merz se reuniu com Trump e fez declarações severas sobre o governo iraniano.

Por outro lado, o governo espanhol de Pedro Sánchez diverge dos parceiros europeus, criticando a guerra e questionando se estão do lado do direito internacional. Sánchez lembrou dos fracassos da Guerra do Iraque e suas consequências. Sua posição gerou irritação em Trump, que ameaçou cortar relações comerciais com a Espanha, mas posteriormente recuou, afirmando que a Espanha cooperaria com a guerra, o que foi negado pelo governo espanhol.

Portugal, ao conceder acesso às bases militares, destacou que não está envolvido nos ataques e cobra do Irã o fim do programa nuclear. A Itália, embora não condene a agressão contra o Irã, critica as retaliações de Teerã e expressa solidariedade à população civil iraniana, que exige respeito a seus direitos.

Compartilhe esta notícia