O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana prestou depoimento na Polícia Civil de São Paulo na tarde desta sexta-feira (13). Ele afirmou que Gisele ‘nunca pensou em cometer suicídio’. O depoimento ocorreu após a PM ser encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto.
O advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, acompanhou o ex-marido durante o depoimento. Ele informou que o ex-marido tinha uma amizade com Gisele, mas que se afastaram devido a ciúmes do atual marido. O ex-marido também expressou medo de Geraldo.
O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita. A hipótese de suicídio não foi descartada, mas a possibilidade de feminicídio está sendo apurada. O advogado afirmou que o depoimento é importante, pois o ex-marido sustentará que Gisele nunca demonstrou indícios de querer se matar.
A soldado Gisele tinha 32 anos e seu marido, Geraldo, 53. Ele foi quem informou à Polícia Civil que a esposa havia se suicidado, alegando que, após uma discussão, pediu a separação e foi tomar banho. Um minuto depois, segundo ele, Gisele teria disparado contra a própria cabeça.
A família de Gisele contestou a versão de suicídio e solicitou uma reavaliação do caso, levando a Polícia Civil a reclassificar a morte como suspeita. A Justiça determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri, considerando indícios de crime doloso contra a vida.
Laudos periciais levantaram dúvidas sobre a versão inicial. Exames mostraram marcas de unhas e arranhões no pescoço de Gisele, além de lesões no rosto e sinais de disparo à queima-roupa. A arma estava na mão dela, o que é incomum em casos de suicídio. Além disso, Geraldo estava seco quando as autoridades chegaram, embora tenha alegado que estava no banho.
O corpo de Gisele foi exumado para novos exames devido às dúvidas sobre as circunstâncias da morte. A investigação não descarta o suicídio, mas também investiga a possibilidade de feminicídio. O advogado José Miguel afirmou: ‘Nós não acreditamos na possibilidade de suicídio. O mais provável é que ela tenha sido assassinada’.
Ele criticou a lentidão do caso e afirmou que a delegacia já teria elementos para pedir a prisão preventiva de Geraldo, citando testemunhas que têm medo dele e a alteração da cena do crime. O tenente-coronel se afastou do trabalho após a morte da esposa e não voltou a depor formalmente.
Os laudos produzidos pela Polícia Técnico-Científica já foram concluídos. O laudo necroscópico identificou a causa da morte como traumatismo decorrente de disparo encostado do lado direito da cabeça. O laudo residuográfico não detectou pólvora nas mãos de Gisele ou de Geraldo, o que gera estranheza na hipótese de suicídio. O laudo da trajetória do tiro indicou que o disparo foi de baixo para cima.
As investigações continuam em andamento, incluindo um Inquérito Policial Militar instaurado pela Polícia Militar após denúncias anônimas sobre a relação do casal.


