A subsecretária de Gestão de Ensino da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, Joilza Rangel Abreu, foi exonerada em meio a investigações sobre seu filho, Guilherme Rangel Abreu, empresário apontado como influente em contratações da pasta.
As investigações estão sendo conduzidas pelo Ministério Público. Há um mês, a Secretaria Estadual de Educação foi alvo de reportagens que revelaram o uso de um mecanismo de descentralização de orçamento para realizar obras milionárias em escolas, com denúncias de falta de controle e indícios de superfaturamento.
A exoneração de Joilza ocorre após a demissão da secretária de Educação, Roberta Barreto, na semana passada, e a saída de outros integrantes do segundo escalão nesta semana. A saída de Joilza coincide com a divulgação de informações sobre seu filho, conhecido como “Bocão”.
Guilherme Rangel Abreu teria atuado nos bastidores da Secretaria e influenciado contratações simplificadas, como adesões a atas de registro de preços. Uma das contratações investigadas pelo Ministério Público foi a compra de livros paradidáticos no valor de R$ 618 milhões, que envolvia obras já disponibilizadas gratuitamente pelo governo federal.
Embora a investigação tenha sido arquivada, o MP fez recomendações para futuras contratações. O contrato em questão foi assinado por Joilza Rangel Abreu.
Guilherme voltou a ser mencionado após a divulgação de um documento de uma consultoria financeira que traçava metas patrimoniais para ele, indicando um objetivo de alcançar um patrimônio líquido anual de cerca de R$ 20 milhões em dois anos. Essa meta é considerada improvável, dada a renda declarada por ele e suas empresas.
Até janeiro do ano passado, Guilherme era assessor parlamentar do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, recebendo cerca de R$ 9 mil mensais. Ele é proprietário de quatro empresas, mas apenas uma delas declarou faturamento em 2024, de cerca de R$ 14 mil.
A Bezerra Consulting, que elaborou o documento, confirmou sua autenticidade, mas afirmou que se tratava de um material preliminar e que o projeto não foi aprovado ou executado. A consultoria também tem ligações com empresas que atuam em obras nas escolas estaduais.
Apesar de um investimento de quase R$ 1 bilhão em obras, a ex-secretária Roberta Barreto deixou o cargo com várias escolas ainda fechadas. Um levantamento aponta que pelo menos seis escolas estaduais não retomaram as aulas neste ano devido a problemas de infraestrutura, com relatos de falta de água, energia elétrica, ar-condicionado e riscos de incêndio.
Guilherme Rangel Abreu afirmou que o planejamento financeiro realizado pela Bezerra Consulting era um esboço preliminar e que os valores apresentados eram meramente ilustrativos.
Joilza Rangel não respondeu aos questionamentos.

