Expectativas para a bolsa brasileira em meio à guerra no Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A B3, bolsa de valores brasileira, registrou um forte retorno de capital estrangeiro em 2026. Nos dois primeiros meses do ano, o saldo de recursos vindos do exterior alcançou R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, conforme levantamento da consultoria Elos Ayta. Esse fluxo contribuiu para que o Ibovespa, principal índice da bolsa, atingisse um recorde histórico, superando pela primeira vez os 190 mil pontos.

No entanto, a escalada da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, trouxe incerteza aos investidores. Desde o início do conflito, a bolsa acumula uma queda de 4,41%, retornando aos 180 mil pontos. O movimento conhecido como “flight to quality” ocorre em momentos de tensão internacional, levando investidores a preferirem aplicações mais seguras, como dólar e ouro.

Especialistas acreditam que a entrada de capital estrangeiro pode continuar ao longo de 2026, mas o ritmo dependerá do cenário internacional. Fatores como juros altos no Brasil, ações consideradas baratas e a diversificação de investimentos são atrativos para os investidores. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.

Em janeiro, o Ibovespa registrou uma entrada de R$ 26,4 bilhões, o maior valor desde fevereiro de 2022. Com os R$ 16,9 bilhões de fevereiro, o total de recursos externos em 2026 chegou a R$ 42,56 bilhões, superando os R$ 26,87 bilhões do mesmo período do ano passado. Apesar da desaceleração, este é o terceiro maior volume para os dois primeiros meses do ano na última década.

Os recordes de valorização do Ibovespa foram notáveis, com 13 máximas em 2026, em contraste com 32 ao longo de todo o ano anterior. Contudo, a ampliação do conflito no Oriente Médio pode impactar o fluxo de investimentos. Flávio Conde, analista da Levante Inside Corp, afirma que a perspectiva de queda dos juros e ações baratas em dólar ainda favorecem o Brasil.

““Se a guerra se intensificar durante o mês de março, é provável que o fluxo diminua um pouco. Mas não deve zerar, muito menos se transformar em saída de capital da bolsa brasileira”, disse Conde.”

Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, alerta que o cenário internacional pode reduzir o fôlego do mercado no curto prazo. Ele observa que, em momentos de conflito, as bolsas ao redor do mundo costumam sofrer pressão, enquanto ativos seguros, como o petróleo, tendem a valorizar.

““Existe o risco de perda de força do índice se prevalecer um movimento global de ‘flight to quality’”, afirmou Belitardo.”

Os especialistas concordam que, se a busca por segurança aumentar, investidores podem retirar recursos de mercados mais arriscados, como ações e países emergentes, em favor de aplicações mais seguras.

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