Expedição avalia acesso ao Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Pico da Neblina, localizado em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, recebeu uma expedição do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026. O objetivo da expedição foi avaliar a trilha e propor melhorias nas estruturas de acesso à montanha, que é o ponto mais alto do Brasil.

A equipe percorreu 2,9 mil metros de altitude do cume, realizando uma leitura técnica do percurso. O foco foi encontrar soluções para reduzir riscos de acidentes e melhorar a infraestrutura dos acampamentos. A ação contou com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA).

Participaram da expedição 11 não indígenas e 22 Yanomami, que atuaram como guias, carregadores e cozinheiros. O trabalho seguiu o Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, criado para organizar o turismo na região. Cassiano Gatto, chefe do parque, afirmou que a expedição reuniu informações essenciais para aprimorar o plano de visitação e melhorar as condições de trabalho dos Yanomami.

“”Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao Plano de Visitação relativo à nossa gestão da unidade e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É naturalmente um avanço difícil, dadas as condições geográficas de isolamento da localidade, mas esta iniciativa é um primeiro passo para a busca de soluções”, destacou Cassiano.”

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O Pico da Neblina tem 2.995,30 metros de altitude e está situado na Serra do Imeri, na fronteira com a Venezuela. Entre os encaminhamentos definidos na expedição estão a instalação de 50 degraus no trecho final da trilha e o reforço no sistema de apoio com cordas e correntes, previsto para agosto de 2026.

Além disso, foi planejado o uso de drones para mapeamento ambiental, visando identificar cicatrizes do garimpo na Bacia do Gelo. A equipe também atualizou os protocolos operacionais do Plano de Visitação, incluindo a pesagem de cargas e a organização da condução Yanomami.

A expedição avaliou também o pico 31 de Março, a segunda maior montanha do país, e recomendou que não seja aberto ao turismo por questões de segurança e preservação ambiental. O local, considerado sagrado pelos Yanomami, permanece praticamente intocado e pode servir para pesquisas científicas, como o monitoramento de mudanças climáticas.

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