Exploração de terras raras em Goiás pode gerar 12 mil empregos diretos

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A exploração de terras raras em Goiás deve gerar até 12 mil empregos diretos entre cinco e dez anos, segundo estimativas da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Goiás.

As áreas de atuação vão desde engenheiros, operadores de máquinas até especialistas em logística. O estado se destaca por Minaçu, que é a única cidade fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos essenciais.

A exploração já começou há três anos. Atualmente, duas mineradoras operam no estado e, quando estiverem em atividade total, podem gerar de 5 a 6 mil empregos diretos cada uma. Joel de Sant’Anna Braga Filho, secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Goiás, afirmou que uma mineradora já gera mais de 2 mil empregos diretos.

“”Isso aí é muito importante, porque vai fazer com que Goiás tenha geração de emprego, porque vai trazer investimento para cá em vários setores”, afirmou Joel.”

Ele destacou que a busca por empresas dos ramos de data centers e fabricantes de motores e baterias pode trazer benefícios adicionais. “Poderemos fazer uma troca. A gente exporta terra rara, mas a gente peça que essas empresas invistam aqui em outros setores ligados à tecnologia para fazer com que essa rota tenha um benefício para Goiás”, disse.

A gerente de projetos estratégicos do setor produtivo da SIC, Lívia Parreira, explicou que a cadeia de terras raras é multidisciplinar e envolve profissionais em diversas etapas. Entre eles estão geólogos, engenheiros de minas, engenheiros químicos e metalurgistas, além de especialistas em logística e comércio exterior.

Lívia destacou as áreas que devem gerar mais empregos em curto, médio e longo prazo. A curto prazo, a pesquisa mineral e a implantação das minas serão as fases com mais trabalhadores empregados, mas de curta duração. “Terá maior contratação de geólogos, técnicos de mineração e de sondagem, topógrafos, engenheiros de minas, engenheiros ambientais, operadores de equipamentos, mão de obra temporária e alta demanda por serviços locais”, disse.

A médio prazo, o beneficiamento e a separação química exigirão uma qualificação técnica elevada. Finalmente, a longo prazo, a industrialização de ímãs e componentes terá o maior potencial de emprego e renda.

“”Os elementos não são raros e chegam a ser bastante abundantes na crosta terrestre”, explicou Lívia.”

O secretário Joel de Sant’Anna citou que a primeira mina que exporta terra rara para a China é da mineradora Serra Verde. Os Estados Unidos aprovaram investimento de mais de 400 milhões de dólares para a segunda etapa de expansão de Minaçu e mais 5 milhões de dólares para pesquisa em Nova Roma.

“É a primeira cidade do ocidente que exporta já esse mineral para a China há três anos”, enfatizou Joel. A Serra Verde investiu em tecnologia e já consegue extrair e transformar a terra em um pó concentrado.

A mineradora Aclara também está desenvolvendo projetos na região, com foco em eficiência ambiental e controle técnico. O principal uso das terras raras pesadas está em ímãs permanentes, essenciais para tecnologias de eletromobilidade e robótica.

Compartilhe esta notícia