Exposição ‘Transbordária’ destaca obras de artistas mulheres da Amazônia em Belém

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A exposição “Transbordária: nenhuma de nós cabe na margem” está em cartaz em Belém e reúne 17 obras de oito artistas amazônidas. Com curadoria de Débora Oliveira e direção criativa de Bruna Suelen, a mostra apresenta a produção contemporânea de mulheres da Amazônia.

Os trabalhos expostos transitam por diversas linguagens, incluindo escultura, fotografia, bordado, cerâmica, gravura, ilustração, grafite e arte digital. A exposição conta com a participação de artistas do Pará e do Amapá, destacando diferentes trajetórias e perspectivas femininas que produzem arte a partir dos territórios amazônicos.

Entre as artistas estão Luci Rodrigues (Macapá/AP), artista indígena e grafiteira; Maria Flor / Mulambra, artista trans multimídia; Glenda Beatriz, escultora e pintora; Awazônia, fotógrafa e multiartista trans; Li Divino, ceramista; Apotyra, ilustradora; Verônica Limma, gravurista; e Mamacita, artista visual que trabalha com desenho digital.

A curadoria parte da ideia de transbordamento como gesto político e estético, reunindo mulheres periféricas, indígenas e trans que transformam experiências de vida em linguagem artística. Para Bruna Suelen, a proposta é deslocar o olhar sobre quem produz arte na região. Ela afirma:

““Transbordária é o lugar onde mulheres periféricas amazônidas transbordam. É a borda que vira centro, a floresta que pulsa na quebrada.””

Segundo Bruna Suelen, a exposição reúne artistas que desafiam limites impostos historicamente às mulheres na arte. Ela destaca:

““É uma exposição pensada por mulheres grandes que não cabem em espaços impostos. São artistas que vêm da periferia amazônica, mas que se comunicam com o mundo.””

As obras abordam temas como ancestralidade, religiosidade, território e identidade, conectando experiências individuais com narrativas coletivas da Amazônia. O texto curatorial, assinado por Débora Oliveira e Bruna Suelen, afirma:

““Transbordária é aquela que não aceita contenção. É o corpo que excede a margem, a voz que atravessa o ruído e transforma presença em território.””

A exposição conta com patrocínio máster da Petrobras e do Mercado Livre, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet, além de patrocínio de O Boticário e apoio da TIM via Lei Semear. A realização é da Psica Produções, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará, com apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil.

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