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Segurança

Falsos defensores públicos aplicam golpes e fazem 240 vítimas em 9 meses no RJ

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 12:31
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Falsos defensores públicos têm aplicado golpes no Estado do Rio de Janeiro, resultando em 240 vítimas nos últimos nove meses. Os criminosos se apresentam como defensores públicos para enganar pessoas que possuem processos na Justiça.

A Defensoria Pública do Estado recebeu mais de 240 denúncias de golpes. Os golpistas entram em contato diretamente com as vítimas, obtendo dados bancários ou realizando cobranças indevidas.

A pedagoga Cláudia Cristina do Carmo Carinhanha é uma das vítimas. No dia 6 de março de 2026, ela recebeu uma mensagem por aplicativo que parecia oficial, com a foto de perfil da Defensoria Pública do Rio e informações sobre seu processo. A mensagem prometia R$ 40 mil a receber, condicionando a participação em uma reunião on-line com um suposto defensor público.

““Nessa reunião, ele fala que eu tenho um processo, fala o número do processo, e o valor, fala do que se trata o processo e o valor que eu tenho a receber, que a causa já é ganha. São pessoas muito bem falantes e muito inteligentes”, relatou Cláudia.”

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Durante a videochamada, o criminoso enviou um link falso da Receita Federal, o que permitiu o acesso total ao celular de Cláudia. Em poucos minutos, os golpistas realizaram duas transferências via Pix, totalizando mais de R$ 10 mil. O dinheiro era destinado ao cuidado de sua mãe, que tem Alzheimer.

““É devastador. No primeiro momento, você se sente impotente. Eu tenho uma pessoa totalmente dependente de mim e estava juntando para dar um conforto melhor pra ela. Esse dinheiro faz muita falta porque hoje eu estou desamparada de tudo”, disse.”

Cláudia registrou ocorrência na 22ª DP (Penha). Casos semelhantes têm sido reportados em várias cidades do estado. A defensora pública Luiza Amintrompiere afirmou que a prática é recorrente: “Semanalmente nós temos costumado receber de quatro a cinco denúncias de golpes. É uma quadrilha, a gente não tem dúvidas disso.”

Luiza explicou que os golpistas têm acesso a informações dos processos, pois estes são públicos. “Eles conseguem puxar a petição inicial, o nome do defensor, e é daí que se aproveitam”, comentou.

A secretária Rakel Soares de Lima também recebeu mensagens da quadrilha, mas desconfiou devido a inconsistências. “O número do telefone não fez sentido ter o DDD 22, e o documento estava assinado um dia antes da minha mãe falecer”, disse.

Especialistas alertam que, ao perceber o golpe, é essencial agir rapidamente. O advogado de Direito Digital Luiz Augusto D’Urso explicou que existe um mecanismo especial de devolução para golpes do Pix, chamado MED, que deve ser acionado assim que a vítima percebe o golpe.

A Defensoria Pública reforça que todos os serviços oferecidos são gratuitos e que não há cobranças para atendimento. O órgão também alerta que não realiza reuniões por videochamada: “Nosso atendimento é presencial ou por meio do nosso aplicativo ou, no máximo, por e-mail. Então, qualquer coisa que fuja desse padrão, tenha em mente: pode ser golpe.”

A Polícia Civil investiga o golpe contra Cláudia e pede que outras vítimas registrem ocorrências para que os casos sejam apurados e os autores identificados.

TAGGED:22ª DP (Penha)Cláudia Cristina do Carmo CarinhanhaDefensoria PúblicaDefensoria Pública do Estado do Rio de JaneirofraudegolpesLuiz Augusto D’UrsoLuiza AmintrompierePolícia CivilRakel Soares de LimaRio de JaneiroRJ
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