Família busca justiça por morte de professora no RS após 15 anos de disputas judiciais

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A família de Cleusa Borges do Amaral, professora morta em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, busca justiça há 15 anos. O caso, que ocorreu em fevereiro de 2011, permanece sem uma definição na Justiça.

Cleusa, que tinha 46 anos, foi encontrada morta em sua casa. O marido, Mário Luiz Benetti, alegou que ela cometeu suicídio ao disparar três tiros. No entanto, a família nunca acreditou nessa versão.

A mãe de Cleusa, Terezinha Donado do Amaral, de 87 anos, tem se empenhado na busca por esclarecimentos. “Eu quero justiça”, afirmou Terezinha, que expressou sua dor pela perda da filha.

Familiares relataram que Cleusa havia manifestado sofrimento em seu relacionamento. Sua irmã, Carolina Borges do Amaral Bergmann, recordou que Cleusa mencionou dificuldades em casa.

Após anos de idas e vindas na Justiça, Mário Benetti foi levado a júri popular em agosto de 2025. Embora os jurados tenham reconhecido sua responsabilidade pela morte, ele foi absolvido por clemência, uma decisão que permite o perdão do réu por razões humanitárias.

A promotora de Justiça Ivana Battaglin comentou que essa decisão reflete como valores culturais ainda influenciam julgamentos de casos de violência contra mulheres. Ela destacou que a sociedade muitas vezes culpa a mulher pela violência que sofre.

No final de fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul analisou um recurso que questionava a absolvição. O advogado de defesa, José Antônio Paganella Boschi, sustentou que Cleusa teria tirado a própria vida e que a família teria interesse em bens deixados por ela.

Os desembargadores decidiram anular o júri que absolveu Benetti, o que significa que o caso será julgado novamente, embora ainda não haja data definida. Terezinha expressou que a decisão é um avanço, mas não apaga a dor de anos de espera.

O advogado Boschi afirmou que a anulação do júri foi por questões formais e que o mérito da decisão dos jurados não foi analisado. Ele também defendeu que não há provas de homicídio e que Cleusa enfrentava depressão, além de que inconsistências foram apontadas na perícia.

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