Família doa órgãos de enfermeira morta por marido em Ponta Porã, MS

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A família da enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, decidiu doar seus órgãos após a confirmação de morte cerebral no fim da manhã desta sexta-feira (6). Ela estava internada no Hospital da Vida, em Dourados (MS), após ser atacada pelo marido, o subtenente do Corpo de Bombeiros Militar Elianderson Duarte.

O ataque ocorreu na casa da família, em Ponta Porã (MS), na terça-feira (3). Segundo a polícia, dois dos três filhos do casal, de 17 e 15 anos, também ficaram feridos durante o ataque. O filho mais novo, de 11 anos, presenciou o início da agressão, mas não foi atingido. Antes das agressões, Liliane gritou para que os filhos fugissem da casa.

De acordo com a Polícia Civil, após o pedido da mãe, os filhos correram para a rua e pediram ajuda a moradores da região. Testemunhas entraram na casa e viram o militar agredindo a esposa com um martelo. O subtenente tentou fugir pulando muros de casas vizinhas, mas foi contido por moradores e preso em flagrante, quebrando o tornozelo durante a tentativa de fuga.

O suspeito foi levado ao Hospital Regional de Ponta Porã. Na quinta-feira (5), ele voltou a ser hospitalizado devido aos ferimentos, e a audiência de custódia foi cancelada. Ele permanece sob custódia no hospital.

A filha mais velha do casal, de 17 anos, relatou à polícia que, no dia do crime, o pai chegou do plantão, fechou portas e janelas da casa, recolheu os celulares dos filhos e aguardou a chegada da esposa. Quando Liliane chegou, ele disse imediatamente ‘vamos pro quarto’. A mãe negou, percebendo que algo estava errado.

Ao perceber que o pai estava com uma marreta, Liliane gritou: “Abre a porta e foge”. As agressões começaram antes que os filhos conseguissem sair da casa, e dois deles foram atingidos, incluindo a adolescente, que levou dois golpes na cabeça. Testemunhas relataram que os adolescentes estavam com sangue no rosto quando pediram ajuda na rua.

Após o ataque, Liliane foi levada a um hospital em Ponta Porã, mas devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para o Hospital da Vida, onde teve a morte confirmada. A Polícia Civil informou que o subtenente foi autuado inicialmente por tentativa de feminicídio, mas com a morte da vítima, o crime passa a ser investigado como feminicídio consumado.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os filhos do casal correm para a rua pedindo ajuda. Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) lamentou o ocorrido e manifestou repúdio a qualquer forma de violência contra as mulheres, informando que o servidor envolvido se encontra detido e responderá por seus atos.

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